No pequeno palco da área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc), Ná Ozzetti entra ainda tímida e ganha a platéia nos primeiros versos de “Canto em qualquer canto”, parceria sua com Itamar Assumpção. “Vim cantar sobre essa terra / antes de mais nada aviso / trago facão, paixão crua / e bons rocks no arquivo”.
Nem precisava avisar. Sua voz é inconfundível, doce, grandiosa e brincalhona. Acompanhada apenas dos músicos Dante Ozzetti, Mário Manga e Sérgio Reze, ela desfila canções de seus últimos álbuns, como “Capitu” e “Tempo Escondido”, mas avisa que o show é de músicas novas e inéditas em sua interpretação.
Assim, traz composições do eterno parceiro Itamar Assumpção e com a amiga Zélia Duncan. Como legítima integrante da turma de São Paulo, Ná - que vem de Maria Cristina, explicação dada a um grupo de fãs que ficou até o final do show para cumprimentá-la - ainda conta com dobradinhas com José Miguel Wisnik e Luiz Tatit, que deverão entrar no novo CD, agendado para 2005.
Durante a apresentação, brinca com os sambas das décadas de 30 e 40, gravados no CD “Show”, tornando sua voz irmã à de Carmen Miranda e Isaurinha Garcia. Em outros momentos, como em “Crápula”, deixa a platéia com um sorriso no rosto ao cantar a revolta de mais uma música que saiu para aquele que não vale a pena.
Os fãs pediram e Ná ainda deixou várias de fora. “Não ensaiamos”, desculpou-se. Nem precisava. Tudo o que mostrou, das canções novas às antigas e releituras, valeram a espera de seu show em Bauru. E como diz a letra de “Show”, que ela também deixou de fora, “Pode não ser / um megashow / um festival com multidões / mas quem chorou / já tem na voz / um show”. Sem dúvida, é a voz de Ná.