11 de julho de 2026
Política

Máquinas retomam canteiro de obras do novo aeroporto

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Após dois anos de paralisação, as obras da última fase do novo aeroporto de Bauru foram retomadas no início do mês passado. A movimentação de máquinas, caminhões e homens no local já é visível. O contrato assinado com a empresa vencedora do processo de licitação - a Leão Engenharia - é de R$ 19 milhões. Setenta por cento desse valor será de responsabilidade do governo federal.

A contrapartida dos 30% restante é de responsabilidade do Estado. O prazo para o término das obras é de dois anos, ou seja, se não ocorrer imprevistos o novo aeroporto deve ser entregue a operação no segundo semestre de 2006.

Para essa última fase estão previstas a construção dos pátios dos hangares para acomodação das aeronaves, do prédio do Corpo de Bombeiros, implantação dos alambrados em todo o entorno do terminal, sinalização luminosa da pista (com balizamento noturno), iluminação de pátios e acessos, instalação de farol rotativo, acesso ao estacionamento de veículos, além de reflorestamento compensatório e plantio de grama.

Segundo o engenheiro José Roberto Hortensio Romero, da Leão Engenharia, o contrato assinado não prevê a construção do terminal de passageiros, hangares e torre de controle. Também não foi incluído no pacote a pavimentação dos quatro quilômetros de estrada de terra que separam a rodovia Bauru/Arealva do novo aeroporto.

Ainda segundo ele, após o término das obras o aeroporto ficará em condições para operações diurna e noturna. Cerca de 100 trabalhadores vão atuar no pico dos serviços.

O que está pronto

Além da pista principal de pouso e decolagem, o novo aeroporto de Bauru já tem pista auxiliar que vai receber as aeronaves na operação de subida e descida. Ela servirá para o deslocamento dos aviões que vão acessar o terminal de embarque e desembarque de passageiros e a pista principal, na qual é feita a operação de pouso e decolagem.

A pista auxiliar tem o mesmo comprimento da principal, ou seja, 2,1mil metros. A largura, porém, é menor: 15 metros (a da principal tem 45 metros). Para viabilizar a obra, a construtora teve que aterrar a área da cabeceira da pista. Cerca de 1 milhão de metros cúbicos de terra foram movimentados nessa etapa.

Na fase anterior, foi concluído o aterro de 22 mil metros quadrados da área na qual será construído o terminal de embarque e desembarque de passageiros. Segundo cálculos de especialistas, a movimentação total de terra equivale, hoje, a cerca de 200 mil caminhões basculantes.

O sítio de 185 alqueires onde está sendo construído o novo aeroporto passou por um processo de reflorestamento compensatório. Cerca de 90 hectares da área receberam espécie nativas. O trabalho foi desenvolvido por técnicos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba.

Mobilização

Em janeiro deste ano, o Jornal da Cidade publicou matéria que retratava o abandono das obras do novo aeroporto, paralisadas, naquela época, há mais de um ano. A reportagem mobilizou a sociedade. Entidades políticas e empresariais de Bauru e dos municípios da região se mobilizaram para aglutinar forças e cobrar diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a retomada das obras.

O prefeito Nilson Costa acionou o presidente da Associação Paulista dos Municípios (APM), Celso Giglio, para se somar ao grupo e pressionar a União a liberar os recursos necessários para a conclusão do terminal aeroviário.

Além da APM - que congrega 400 dos 645 municípios paulistas -, o prefeito também contatou o presidente da Associação dos Municípios do Centro Oeste Paulista (Amcop), Antonio Francelino.

Em abril, a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, e o vereador José Carlos Batata (PT), anunciaram, após reunião com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos da Silva, e com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, a liberação de R$ 3,6 milhões para a retomada das obras.

Dias depois, a verba foi confirmada pelo ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, ao prefeito Nilson Costa e comitiva, em audiência realizada em Brasília.