Botucatu – A comerciante e terapeuta Sonia Maria Andrade, 50 anos, foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) anteontem em Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru). Ela foi agredida com um extintor de incêndio e recebeu várias pancadas na cabeça e no rosto.
O acusado, Cleber da Silva Nunes, 24 anos, teria praticado o crime com a ajuda da mulher, Célia Aparecida de Oliveira, 25 anos. Ambos foram presos em flagrante horas após o assassinato.
O acusado e a vítima tinham iniciado um relacionamento amoroso há cerca de duas semanas. Segundo o delegado titular do 3.º Distrito Policial de Botucatu, Carlos Antônio Julião Filho, a comerciante teria empregado Nunes em sua loja de materiais esotéricos e terapêuticos, localizada no Centro da cidade. “O Cleber havia conhecido a vítima há poucos dias e já tinha o intuito de se aproveitar dela”, diz o delegado.
No dia do crime, o acusado teria ligado para a vítima e marcou um encontro. Por volta das 23h, ela deslocou-se de carro até o local combinado. Nunes assumiu a direção e foi, com a vítima, ao encontro de Célia. “Ele já saiu da casa dele à noite com o crime premeditado”, acredita o delegado.
Depois de pegar Célia, o acusado teria passado a ameaçar e agredir fisicamente a vítima dentro do carro, exigindo que ela sacasse cerca de R$ 500,00 do caixa eletrônico.
A comerciante alegou que não dispunha da quantia. O casal chegou a levar a vítima até um caixa eletrônico localizado na região central, mas não conseguiu sacar o dinheiro. “Como ela não conseguiu efetuar o saque no banco 24 horas, o acusado resolveu matá-la”, diz o delegado.
Nunes levou a vítima até um matagal localizado no bairro Jardim Santa Elisa. No local, Célia teria amarrado as mãos e pés da comerciante e Nunes, que seria praticante de jiu-jitsu, continuou a agredi-la. A comerciante desmaiou e foi colocada no porta-malas do carro.
Em seguida, o casal deslocou-se até a estrada vicinal que liga Botucatu a Pardinho. Lá, por volta das 4h, Nunes teria desferido vários golpes na cabeça e rosto da vítima, utilizando o extintor de incêndio do veículo. O corpo da comerciante foi deixado no local e o casal fugiu em direção à loja da vítima.
Com a chave do estabelecimento, eles entraram no local e furtaram vários produtos além de R$ 7,00 em dinheiro. No caminho até a loja, os acusados se desfizeram do extintor de incêndio utilizado no crime e retirou as placas do veículo.
Depois de furtar o estabelecimento, os acusados, que vivem juntos há oito meses, abandonaram o carro da vítima, o Escort placas BNM-4254, de São Paulo, no bairro Santa Elisa e foram para casa.
A filha da vítima, preocupada com a desaparecimento da mãe, comunicou o fato à polícia, que iniciou as buscas.
Passagem
Nunes já tinha passagem pela polícia por um latrocínio praticado em 1997. Ele matou um homossexual com o mesmo modo de atuação, desferindo várias pancadas na vítima com um extintor de incêndio. Na época, Nunes era adolescente e foi conduzido para a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), onde cumpriu pena por três anos.
Anteontem pela manhã, na delegacia, a filha da vítima conseguiu identificar o acusado por meio de fotos. Por volta das 12h, a polícia foi até a residência de Nunes e prendeu em flagrante o casal.
Célia foi conduzida para a cadeia de Itatinga e Nunes para a cadeia de Botucatu. A pena prevista para latrocínio vai de 20 a 30 anos de reclusão. Além de latrocínio, Nunes já tinha passagens pela polícia por lesões corporais. Célia também já tem registros por furto, estelionato, receptação, porte de armas e tráfico de entorpecentes.
Sônia morava com os dois filhos em Botucatu. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e em seguida foi transportado para São Paulo, onde seria realizado o enterro.