08 de julho de 2026
Bairros

Adobe é indicado para casa popular

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O adobe (terra crua utilizada

para construção) é visto

como uma alternativa para

habitações populares. A informação

é do engenheiro

Obede Borges Faria, professor

do Departamento de Engenharia

Civil da Universidade

Estadual Paulista

(Unesp).

O professor explica que o

custo principal de uma casa

construída com adobe é a

mão-de-obra já que a matériaprima

principal é a terra.

Além disso, a técnica permite

que os próprios moradores

participem do processo de

construção.

“Muitas vezes, o usuário

de uma casa popular está desempregado

e essa é uma forma

de se ocupar. Também

eleva a auto-estima porque a

pessoa sente-se capaz de

construir o material para a

própria habitação”, expõe.

O adobe é uma mistura de

terra com argila e água. A

mistura ideal é feita com solo

mais arenoso e deve ter de

25% a 30% de argila. Caso o

solo seja argiloso, basta

acrescentar areia ou fibras vegetais,

como capim seco triturado.

A mistura é amassada

com os pés. A consistência é

o grande segredo já que o adobe

tem de ser colocado em

uma forma de madeira e desenformado

logo em seguida.

“Não pode ser muito mole

nem muito duro”, diz Obede.

Depois de amassada, a

mistura deve ser passada na

água, depois na areia, colocada

em uma forma (sem fundo)

do tamanho desejado e logo

retirada dela. “Quando o

bolo de terra é jogado dentro

da forma, ele tem de preencher

sozinho todos os cantos

dela”, explica o professor.

A secagem é feita naturalmente,

à meia-sombra. Nos

primeiros dias de secagem,

os tijolos de adobe não devem

receber sol direto. Em

média, o processo demora de

dez a 15 dias.

Caso o resultado não seja

ideal, é possível refazer o tijolo.

Basta molhar a terra e repetir

os procedimentos, quantas

vezes for necessário.

De acordo com Obede, é

possível fazer uma casa inteira

com adobe. Com pequenas

variações, a massa utilizada

na confecção dos tijolos pode

ser empregada no reboco

das paredes.

“Basta um pouco de cal

para não haver problema de

retração. A massa fica mais

elástica e mecanicamente

mais resistente. Dá para fazer

a casa inteira, menos as fundações

porque na nossa região

não temos muitas pedras”,

diz.

Assim como outros tipos

de construções, as de terra demandam

um cuidado especial

com umidade. “O cuidado

com umidade na construção

independe do material.

Se a base não for impermeabilizada,

a água do solo sobe

por capilaridade e o material

terá problemas. Acontece

também com o concreto,

com a estrutura metálica e

com a madeira”, observa.

O engenheiro frisa que o

adobe é feito a partir de matéria-

prima local e é produzido

artesanalmente. “O tijolo

queimado, por exemplo, é feito

com argila e é industrializado.

A indústria degrada a

paisagem e o meio ambiente

e o processo de produção consome

muita energia”, critica.

Uma das vantagens dos

materiais ambientais, segundo

o professor, é o conforto

térmico. “A terra crua promove

mais conforto térmico e

acústico do que o tijolo queimado

e o concreto”, afirma.

Por ser um material nãoestabilizado

quimicamente,

também oferece benefícios à

saúde já que a parede de terra

funciona como um regulador

de umidade. “Se o ambiente

interno está úmido, a parede

absorve a umidade. Se está

seco, a parede libera umidade

para o meio-ambiente. Isso

acaba mantendo a umidade

do ar num nível estável e

saudável”, enfatiza.

Segundo Obede, o adobe

não é utilizado nas construções

de Bauru. “Na nossa realidade,

a técnica é muito pouco

utilizada. Mas há informações

de que pelo menos um

terço da população mundial

mora em casas de terra. Isso

existe na África, na Índia, na

China e na maioria dos países

da América Latina, como

Peru e Chile. Em El Salvador

só se constrói com terra”,

argumenta.

Mas, em outros pontos do

País, como no Nordeste e na região

central, as construções

com adobe são muito utilizadas.

“No Mato Grosso, na região

de Cuiabá, o adobe faz parte

da cultura local”, diz.