Em Bauru, os imóveis
ecologicamente corretos
não estão espalhados por todos
os cantos. Pelo contrário.
É difícil encontrá-los já
que as técnicas da arquitetura
auto-sustentável estão começando
a ser empregadas
na cidade.
Um exemplo encontrado pela
equipe do JC nos Bairros é
uma casa que está sendo construída
na Vila Aviação. Ela terá
utilização de energia solar e fará
reaproveitamento de água da
chuva, entre outros aspectos.
O aproveitamento da
água pluvial é feito através
de uma cisterna. Trata-se de
um espaço semelhante a uma
piscina, mas é subterrâneo.
A água das calhas é direcionada
para lá e posteriormente
é bombeada para utilização
nos vasos sanitários e irrigação
do jardim.
O pé direito alto e grandes
janelas instaladas em paredes
específicas, calculadas
de acordo com o posicionamento
da casa no terreno, favorecem
a ventilação do imóvel.
O ar quente sobe e não
esquenta a casa inteira.
Grandes janelas de vidro
favorecem a entrada de iluminação
natural e paredes duplas
com isolante térmico
melhoram o conforto térmico
e acústico da casa.
Para evitar o uso de aquecedores
elétricos no inverno,
está sendo construída uma espécie
de lareira que utiliza
quantidade mínima de lenha
e, devido ao seu posicionamento
estratégico no imóvel,
aquece todos os cômodos da
casa. O projeto foi inspirado
em casas alemãs.
“Isso também é uma forma
ecológica de fazer as coisas.
Quanto mais aberturas a
casa tiver, haverá menos gastos
de energia”, explica o arquiteto
Maurício Costa.
A área externa da casa
também recebeu um cuidado
especial - foram preservadas
grandes áreas com grama, ou
seja, permeáveis, para absorver
a água pluvial.
“Às vezes, a preocupação
ecológica não está muito visível.
Mas são situações em que
você contribui a médio e longo
prazos e não custam tanto
assim”, observa Maurício.
Outro exemplo de obra
ecologicamente correta é a nova
sede de uma imobiliária
que está sendo construída na
avenida Getúlio Vargas. O
edifício aproveita iluminação
natural, reaproveita a água da
chuva que cai no telhado e faz
um pré-tratamento do esgoto
produzido no local.
“Eu tentei fazer algo diferente
porque eu acho que uma
imobiliária tem de dar o exemplo
ou, pelo menos, algumas
dicas”, diz Eduardo Cury, proprietário
do imóvel.
A preocupação com a
questão da água é marcante
na obra. Um aspecto que
chama a atenção é a existência
de quatro caixas d’água,
que totalizam capacidade
para 13 mil litros de água. É
que a estrutura foi projetada
para que toda água que caia
sobre o telhado retorne para
o imóvel e seja reaproveitada
nos vasos sanitários dos
quatro banheiros e na limpeza
do chão.
Ou seja, uma caixa
d’água de 1.000 litros é utilizada
para receber água tratada
fornecida pelo Departamento
de Água e Esgoto
(DAE), que será utilizada
apenas na cozinha e para lavar
as mãos. As demais
(duas de cinco mil litros e
uma de dois mil litros) armazenam
água da chuva.
“Eu sempre pensei que a
gente usa uma água de primeira,
fluoretada e clorada,
para eliminar dejetos nos vasos
sanitários. Eu sempre
achei isso um pouco conflitante
com a nossa realidade”,
observa Eduardo.
A água da rua só será utilizada
nos banheiros quando
não houver água pluvial nas
caixas. “Os 12 mil litros de
água duram por mais de 60
dias”, frisa o engenheiro.
Ele salienta que seu imóvel
não contribuirá com as
enchentes observadas na cidade.
“Todo o primeiro impacto
da chuva fica armazenado.
Se 50% dos imóveis
comerciais da cidade e da região
mais alta tivessem esse
tipo de aproveitamento,
além de ajudar o meio ambiente,
acabaria com as enchentes
de Bauru”, acredita.
Os telhados do imóvel foram
feitos com desníveis
com utilização de vidro para
aproveitamento de iluminação
natural e redução do consumo
de energia elétrica.
Além disso, foram escolhidas
telhas de um material
que funciona como isolante
térmico, evitando aquecimento
interno. Pé direito alto
e grandes janelas na parte
superior das paredes favorecem
a ventilação dos ambientes,
colaborando com a
manutenção da temperatura
interna.
O esgoto produzido no local
não é jogado diretamente
na rede pública. Ele passa
por três caixas de inspeção
no próprio imóvel que diluem
o esgoto e filtram parte
da água.