Mesmo que ainda de forma parcial, o balanço da 31.ª edição da Grand Expo Bauru, que será encerrada hoje, já apresenta motivos para comemoração. Na avaliação de Orlando Lamônica Júnior, presidente da Associação Rural do Centro-Oeste (Arco), que promove a feira, os resultados alcançados até a última sexta-feira, quando foi entrevistado pelo JC, eram “extremamente positivos”.
Para justificar sua satisfação com o desempenho da Expo deste ano, ele revelou que pela primeira vez os expositores e comerciantes procuraram a organização do evento para renovar o contrato já pensando na feira de 2005. Segundo Lamônica, nada menos do que metade dos contratos foi renovada.
Isso, na opinião dele, mostra que as mudanças promovidas na feira deste ano deram resultados positivos e o retorno do público ficou acima ou pelo menos dentro das expectativas dos comerciantes. O balanço é ainda mais animador se for levado em conta que as duas últimas feiras deram prejuízos.
Na entrevista, Lamônica fala também dos planos para o futuro, do rodeio, que foi a grande novidade deste ano, e da resistência de alguns empresários bauruenses em participar da feira.
Jornal da Cidade - Qual o balanço que o senhor faz da feira até o momento?
Orlando Lamônica Júnior - Apesar de ser uma pessoa suspeita para dizer isso, nós estamos recebendo elogios de todos os segmentos. Seja da área comercial ou de alimentação. Uma prova disso é que nós já renovamos o contrato para a feira do ano que vem com metade dos comerciantes que estão aqui a pedido deles próprios. Isso significa que nós estamos tendo um certo sucesso. Eu acredito que expositor pedir para renovar contrato é algo inédito. Antes, eles eram pegos a laço. Por isso, está sendo extremamente gratificante fazer esta feira.
JC - E quanto aos leilões? Que avaliação o senhor faz?
Lamônica - Na área dos leilões está sendo muito bom também. Estamos tendo uma liquidez enorme. Já foram comercializados cerca de R$ 3,5 milhões em apenas quatro leilões, sendo um de corte. Também nessa área, o reflexo tem sido altamente positivo.
JC - A tendência então é de números ainda melhores até o fim da feira?
Lamônica - Com certeza, porque temos ainda mais quatro leilões. Além disso, teremos hoje (sexta-feira) o Sepultura, que está sendo uma novidade extremamente interessante. Estão chegando caravanas do Brasil inteiro. E teremos também o Felipe Dylon (hoje). São duas atrações que estão acima da média no meio musical e isso atrai muita gente.
JC - Falando em novidades, o rodeio foi a maior delas?
Lamônica - Eu acho que o rodeio foi um ganho muito grande para Bauru. Não digo que isso foi bom apenas para a exposição, mas para a cidade como um todo. É o segundo esporte mais popular no Brasil, perdendo apenas para o futebol. E Bauru estava alijado desse processo. Agora, nós colocamos a cidade dentro deste contexto novamente.
JC - E quanto à pressão de grupos que são contra os rodeios?
Lamônica - Nós temos algumas pessoas que lutam contra, com uma certa razão. Eu acho que as pessoas têm de lutar por aquilo que acreditam. Mas elas precisam saber os limites. Saber o que é bom e o que é ruim. Quando foi estabelecido critérios para o profissionalismo do peão, do rodeio em si, passou-se a lutar pelo que está na lei. A Polícia Ambiental tem feito uma fiscalização diária e isso tem dado um aval para o nosso trabalho. Antes do rodeio, é feita uma palestra com todos os peões. É dito a eles o que deve ou não usar e porquê. Estamos informando os peões porque são pessoas simples, que vieram do campo e que estão se profissionalizando.
JC - Mas teve quem reclamasse de maus-tratos aos animais!
Lamônica - Isso é uma hipocrisia. Os bois são tratados melhor do que os peões. Eu não vi nenhuma associação vir aqui para saber se os peões tinham seguro, se eles estavam sendo bem tratados. Ninguém perguntou se eles tinham comida, se tinham um lugar para rezar. Existe ONG (organização não-governamental) que está brincando de fazer historinha. Quer os 15 minutos de fama. Eu acho que as pessoas têm de saber o que falam. É importante salientar que também somos contra aqueles rodeios que machucam os animais. Acho que tem de haver ponderação.
JC - Os rodeios devem continuar no próximo ano?
Lamônica - Por que não? Nós temos infra-estrutura para fazer rodeios parecidos com o de Barretos, Jaguariúna e Americana. Temos hotéis para acomodar todo mundo. Temos um comércio atraente, um parque de exposições magnífico, com segurança e estacionamento. Estamos a 200 quilômetros das principais cidades do Interior paulista, como Ribeirão Preto, Sorocaba, São José do Rio Preto, Araçatuba, Londrina. Sem falar que num raio menor, de 100 quilômetros, temos Marília, Botucatu, Jaú, Lins. São cidades com mais de 100 mil habitantes. Isso é extremamente significativo. Então, por que não fazer um rodeio de primeira qualidade. Estamos falando de uma região riquíssima, com 1,7 milhão de pessoas.
JC - Qual tem sido a média de públicos nas montarias?
Lamônica - Cada noite com rodeio atrai em média 4 mil pessoas. E nós notamos que vêm famílias inteiras para assistir. Porque é um show sadio. Ali não rola droga, não rola sacanagem. O que rola é muito divertimento. Em 10 dias, nós oferecemos para Bauru o que a população não tem o ano inteiro. Infelizmente, foi morrendo uma festa aqui, outra ali e a Expo é a única coisa que sobrou.
JC - Ouvi comentários de que vocês estão pensando em criar uma nova feira? O que pode dizer sobre isso?
Lamônica - Nós temos um projeto muito amplo para o ano que vem. Estamos fechando um negócio muito interessante. Vai ser uma surpresa para Bauru. Vai trazer turistas, gerar negócios. Mas eu só vou falar no momento certo. Será uma segunda feira, da mais alta qualidade. Eu só posso dizer que será com o zebu e será realizada no primeiro semestre do ano que vem.
JC - E para a Expo do ano que vem? Vocês já estão pensando em alguma mudança?
Lamônica - No ano que vem teremos uma agenda de leilões totalmente separada da feira. Vamos ter de 16 a 20 leilões, que já estão contratados. Estamos com os principais leiloeiros do País aqui dentro. Então, nossa feira é ponto de referência. Os criadores estão satisfeitos, eles voltaram a se animar com a feira de Bauru.
JC - E o que a feira ofereceu para os criadores voltarem?
Lamônica - A credibilidade da diretoria da Arco. Nós mudamos a equipe. Padronizamos as barracas. Os pavilhões foram remodelados e pintados. Mas ainda falta muito porque é um parque de 10 alqueires.
JC - Quando termina sua gestão na Arco? Você pretende continuar na diretoria?
Lamônica - Minha gestão termina em março de 2005. Eu preciso estudar minha vida particular, porque isso aqui toma um tempo muito grande. A equipe é boa, coesa, está todo mundo trabalhando. Pode até acontecer de termos três presidentes.
JC - Seus animais participam das competições organizadas pela feira?
Lamônica - Não. E eu não participo por dois motivos. Se eu ganhar, vão dizer que eu roubei. Se eu perder, vão falar que sou ruim demais (risos). Então, é melhor ficar no meu canto.
JC - Como são esses dez dias de exposição na sua vida particular?
Lamônica - Minha vida particular fica zerada. Mas ao mesmo tempo é um prazer enorme porque é uma realização pessoal. Eu via que estava acontecendo muita coisa errada e eu não tinha como mudar isso. Então quando eu tive uma oportunidade eu quis fazer. Pessoalmente, está sendo extremamente gratificante. Principalmente, porque nós estamos resgatando vários criadores e empresas que haviam deixado a feira. Essa foi minha maior vitória pessoal.
JC - Quem está querendo voltar?
Lamônica - Eu sei de vários comerciantes bauruenses querendo voltar para a feira no ano que vem, porque eles notaram que vem pessoas de fora ganhar dinheiro no lugar deles. Eles poderiam estar aqui dentro. Tem casas noturnas da cidade que estão querendo vir para cá. Eu acho que no ano que vem metade do comércio será de comerciantes bauruenses. Isso vai ser um ganho maravilhoso.
JC - Qual a participação dos bauruenses este ano na Expo?
Lamônica - Hoje, a participação está em torno de 15%. Olha lá se não for menor que isso.
JC - E os comerciantes que estão aqui hoje vieram de onde?
Lamônica - Eles vieram do Paraná, Mato Grosso, Rio de Janeiro. Temos comerciantes de Agudos e não temos de Bauru. Se eles vêm de longe e pagam para se instalar na feira é porque ganham dinheiro aqui. Então, o que está faltando para o bauruense vir para cá?
JC - O que se arrecada com a Expo dá para cobrir as despesas?
Lamônica - Nas duas últimas feiras tivemos prejuízos. Mas conseguimos recuperar (o investimento) porque todos os fins de semana temos eventos no recinto, como leilões e festas. Ano passado tivemos 73 leilões. Com isso conseguimos equilibrar as contas. Nós temos uma folha de pagamento de R$ 15 mil mensais, fora os encargos sociais. O parque de exposições é muito ativo o ano todo, e sem nenhum apoio do poder público. Este ano, se empatar já está bom.
JC - Parece que já temos novidade em termos de show para a Expo de 2005? É isso mesmo?
Lamônica - Ontem (quinta-feira) o empresário do cantor Daniel fechou um contrato para o ano que vem. Ele é o mesmo empresário da dupla Guilherme e Santiago, que tocou aqui este ano. Ele elogiou nosso trabalho, ficou animado com a bilheteria e disse que fazia muitos anos que não via uma feira tão bem organizada.
JC - Podemos publicar então que o cantor Daniel estará em Bauru, na Expo do ano que vem?
Lamônica - Pode publicar. A presença do Daniel na feira do ano que vem já está fechada. E o empresário disse que vai trazer também outras duas atrações de ponta por conta e risco dele. Isso mostra que estamos virando o jogo.