Milhares de pessoas pararam estupefatas na frente da TV, na semana passada, quando o zagueiro Serginho, do clube de futebol São Caetano, tombou no campo no meio de uma partida. Segundos depois, ele recebia uma massagem cardíaca e respiração boca-a-boca, sendo levado em seguida a um hospital. Em vão. O jogador seria declarado morto 40 minutos mais tarde, vítima da chamada morte súbita.
A parada cardiorrespiratória que vitimou repentinamente o jogador deixou muita gente preocupada e causou uma corrida das pessoas em busca de consultas e exames em clínicas de cardiologia em todo o País. Segundo especialistas, vida regrada e exames periódicos são a melhor prevenção.
“Tivemos um aumento de 40% nos atendimentos de urgência”, conta o cardiologista de Bauru, Antonio Estéfano Germano. “Sintomas que antes as pessoas ignoravam – como aquela dor no peito que elas deixariam para lá dizendo ‘deve ser gases’ - agora são motivo de procurar o médico imediatamente”, destaca.
Ele explica que a morte súbita pode ter diversas causas. A mais freqüente é a chamada fibrilação, responsável por 70% a 80% das mortes repentinas.
O coração é dividido em quatro cavidades (átrios e ventrículos) cujos músculos se contráem e relaxam num ritmo perfeitamente sincronizado, seguindo um sentido fisiologicamente pré-determinado para bombear o sangue que está lá dentro para todos os órgãos e tecidos do organismo.
“Esse mecanismo é controlado por impulsos elétricos. Quando ocorre alguma alteração, seja na transmissão de impulsos ou na força de contração desses músculos, o coração perde esse sincronismo e começa a ‘tremer’ - as contrações tornam-se muito rápidas e desencontradas. É o que chamamos fibrilação, que leva à parada cardíaca, ou seja, o coração não consegue bombear o sangue, as contrações páram”, descreve.
Segundo o médico, o bombeamento cardíaco é realizado com contrações de baixo para cima, que empurram o sangue para as artérias. Quando ocorre a fibrilação, as contrações perdem esse sentido e o coração perde sua efetividade. Interrompe-se a circulação sangüínea e, conseqüentemente, a oxigenação do cérebro. “O indivíduo perde a consciência e, em três minutos entra em morte cerebral”, informa Germano.
A massagem cardíaca e a respiração boca-a-boca são a primeira medida a se tomar numa parada cardiorrespiratória. A massagem ritmada sobre o peito força a contração do músculo cardíaco, como se estivesse tentando “lembrá-lo” de como deve trabalhar. E o ar soprado na boca da pessoa é para evitar danos ao cérebro por falta de oxigênio.
Se não surtirem efeito, a opção é pelo uso do desfibrilador e dos respiradores artificiais. O primeiro é um equipamento que dá uma forte carga elétrica no coração, forçando-o a retomar seu ritmo normal. Sua ação é semelhante à do tapa que se dá nas costas de uma pessoa engasgada, forçando o organismo a expelir o que aspirou.
Segundo Germano, qualquer pessoa com uma alteração cardíaca pode sofrer uma morte súbita. Controlar doenças de base (hipertensão, diabetes, colesterol alto, arritmias, entre outras) é o primeiro passo. Manter um estilo de vida saudável é norma essencial para todos.
“Hábitos regrados, com baixo consumo de bebidas alcoólicas, não fumar, manter atividades físicas regulares, manter um peso adequado, ingerir pouca gordura, fazer a prevenção primária, diminuir a carga de estresse no dia-a-dia e manter atividades que dêem prazer são essenciais à saúde do coração”, completa.