A Polícia Federal (PF) de Bauru prendeu na madruga de hoje dois integrantes de uma quadrilha que seqüestrava e extorquia empresários de todo o País. A operação mobilizou diversos agentes, inclusive de outras regionais da PF, como de Ribeirão Preto. Uma mulher, esposa de um dos presos, também foi detida, mas até a madrugada de hoje ainda era investigada para saber se também integrava o bando.
As detenções aconteceram na tarde de ontem em Jaú e nas proximidades de Ribeirão Preto, mas agentes da PF continuavam as diligências na madrugada de hoje para tentar prender outros supostos integrantes da quadrilha.
Segundo informações preliminares prestadas na madrugada de hoje pelo delegado da PF em Bauru, Gilherme Lopes Maddarena, as investigações sobre a atuação da quadrilha teriam começado há cerca de cinco meses, a partir de denúncia de uma vítima de Goiás. Além disso, já haveria confirmação de vítimas em Palmas (Tocantins) e em cidades próximas da região de Bauru, como São Carlos e Araraquara.
Na ação de ontem, os agentes da PF conseguiram frustrar o golpe que seria aplicado em Jaú contra empresários da cidade de Santa Izabel, no norte do Paraná - eles também vieram para a sede da PF em Bauru para prestar depoimento.
O golpe consistia em atrair as vítimas para cidades distantes de onde moravam com a oferta de máquinas, como escavadeiras, a preços convidativos, em negócios que giravam entre R$ 40 mil e R$ 90 mil. Quando a vítima se deslocava para o local onde o negócio seria fechado, a quadrilha a seqüestrava e a coagia, mediante ameaças físicas, a repassar o dinheiro que seria utilizado na transação.
Como o “negócio era bom”, explica Maddarena, geralmente os empresários já traziam o dinheiro ou pelo menos o tinham disponível para transferência. Segundo a PF, os golpes já consumados e confirmados pelas investigações teriam rendido cerca de R$ 150 mil aos criminosos. As vítimas chegavam a ficar um dia em poder dos seqüestradores.
Além dos dois homens presos - cuja identificação não foi fornecida - e da mulher que ainda era interrogada na madrugada de hoje, a PF acredita que pelo menos mais três pessoas façam parte do bando. “Já identificamos cinco integrantes, mas a quadrilha pode ter mais um participante”, acredita Maddarena. A PF ainda não sabe onde residem os criminosos, mas há suspeitas de que possam ser pessoas de São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto.
Maddarena explica ainda que os dois homens detidos ontem foram presos em flagrante sob acusação de formação de quadrilha, cuja pena é de um a três anos de detenção - no caso deles será aplicada penalização em dobro (dois a seis anos) porque os homens portavam arma de fogo. Mas o delegado diz que eles responderão também pelo crime de extorsão mediante seqüestro, cuja a pena prevê detenção de oito a 15 anos - para esta acusação não foi configurado o flagrante.