Há pouco tempo, tenho o privilégio de residir em frente a um dos locais mais belos da cidade. O cartão-postal de Bauru, Parque Vitória Régia. Só então pude constatar como o belo pode conviver com o feio num mesmo espaço físico. Como as pessoas confundem “cultura” com eventos que só trazem falta de respeito e nenhuma cultura a ninguém, a não ser a um número reduzido de pessoas que, em nome da “cultura”, desrespeitam o direito de sossego dos outros.
Nesse domingo, por volta das 16h, estava descansando em casa quando fui surpreendida por palavras de “baixo calão” ditas em alto e bom som em um microfone por um jovem que, com certeza, não sabe o significado da palavra “cultura” e muito menos “respeito”. Quando fui me informar sobre o que estava ocorrendo, descobri que outras pessoas, outros moradores do local, também indignados, já haviam comunicado ao Copom do que estava ocorrendo e a resposta que ouvimos foi que nós, moradores das proximidades, nada poderíamos fazer porque o tal evento estava com alvará da Prefeitura e tinha a autorização para ser realizado. Pergunto a quem de direito é responsável pela realização dessa apresentação, que ocorre a cada 15 dias, se não me engano: o evento em questão é para difundir a cultura ou para dar espaço a pessoas que nem sequer sabem o que é um palavrão e o dizem em alto e bom som, difundindo sim, a cultura da “má educação”? Espero que, se este evento continuar sendo realizado em um dos locais mais belos que temos em nossa cidade, que pelo menos as pessoas responsáveis por sua organização “eduquem” melhor os jovens que estarão em poder do microfone para dizer palavras que edifiquem e não palavras que destroem, afinal de contas, o Parque Vitória Régia é um local que merece receber eventos culturais da melhor qualidade.
Elisabete Zambelo - RG 13.340.783