08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Abandono de emprego


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Um trabalhador comum que abandonar literalmente seu emprego por prazo superior a trinta dias terá seu vinculo de trabalho rompido com a anuência da Justiça do Trabalho, resguardadas todas as condições determinadas na CLT em seu artigo 474.

Entretanto, existe em Brasília, no Congresso Nacional, uma casta de “trabalhadores” que consegue se ausentar por períodos muito maiores que trinta dias sem que tenham um centavo de seus polpudos vencimentos descontados ao final do mês.

São os nobres políticos brasileiros que compõe o Congresso Nacional, dando à nação, como sempre, o pior de todos os exemplos em matéria de profissionalismo, civismo e respeito à coisa pública. Eles estão há aproximadamente quatro meses sem trabalhar e usam as eleições municipais como desculpa, embora elas jamais devessem interferir no funcionamento pleno daquela casa.

Além do mais, existem centenas de projetos, matérias, leis e outras questões fundamentais para a vida do povo brasileiro que ficam engavetados, enquanto nossos representantes passeiam pelo Brasil.

Além do prejuízo imediato que tal atitude causa, sem contar a questão ética e moral que jamais terá reparação há tempo algum, ainda tem o atraso da pauta que será então compensado nas férias de janeiro, quando todos os parlamentares serão convocados para as aviltantes “Sessões Extraordinárias”, onde receberão uma pequena fortuna, além de seus vencimentos normais.

Para um País que tem parte de sua população passando fome, que possue milhões de pessoas vivendo sem saneamento básico e cujo salário mínimo é de apenas R$ 260,00, é inaceitável que quinhentos e poucos abençoados recebam salários de marajá para depois simplesmente ficarem ausentes por quase quatro meses de suas obrigações.

E não adianta reclamar do povo que os elegeu, pois enquanto não surgirem em nosso País uma geração que tome das mãos dessa casta política as rédeas e passe a fiscalizá-los, exigindo de todos os poderes o retorno para a sociedade em trabalho, ética e honestidade, não teremos jamais uma mudança significativa para evitar esse comportamento que envergonha e nos causa prejuízos superiores aos tufões, vendavais, abalos sísmicos que habitam os países de primeiro mundo.

Rafael Moia Filho