Os petistas que foram expulsos do partido no início do mês passado vão recorrer da decisão no diretório estadual, sediado em São Paulo. A informação é do sindicalista Jesus Garcia, que juntamente com outros oito militantes tiveram suas filiações ao PT canceladas. Eles foram acusados pela presidente da executiva municipal do partido, Estela Almagro, de fazer campanha para o candidato Tuga Angerami (PDT), no 1.º turno.
Estela disputou a prefeitura de Bauru no primeiro turno das eleições municipais, mas não conseguiu avançar para a segunda etapa do pleito. Ela e seu grupo decidiram apoiar a candidatura de Tuga. Na época, os expulsos alegaram que não tiveram direito a defesa. Também acusaram Estela de fazer um processo sumário sem a participação da comissão de ética da legenda.
Garcia vai protocolar na sexta-feira no diretório estadual um documento que pede a intervenção da comissão de ética da instância no caso. Além do pedido formal de revisão das expulsões, as 32 páginas apresentam um relatório de toda a situação do PT em Bauru, a partir do início deste ano.
“O documento faz um histórico do processo eleitoral em Bauru. Mostra, por exemplo, o anúncio do acordo entre o PT e o PMDB. Anexamos cópias das matérias jornalísticas com fotos”, explica o sindicalista. Para ele, essa situação demonstra a incoerência do comando do partido já naquela época. O sindicalista defendia aliança com Tuga Angerami.
Estela e seu grupo chegaram a articular uma aliança com Tuga, mas na última hora o acordo não vingou. A situação obrigou o PT a lançar candidatura própria.
Injustiça
O dirigente sindical também vai relatar ao diretório estadual decisões tomadas em nível municipal consideradas por ele como protecionistas. “Usaram recursos do PT para divulgar somente três candidaturas a vereador em outdoors. Não acho justo. No meu material de divulgação, por exemplo, apliquei a foto da Estela. Já a foto dela aparecia junto com a do Batata”, comenta.
O petista tem esperanças de que o diretório estadual reveja a decisão de Bauru. “Se o estatuto do PT for seguido religiosamente, vamos ter o direito de defesa”, analisa.
Para Garcia, o atual momento do partido é de “balanço eleitoral”. “É um período de dificuldades devido ao cenário político que está sendo analisado. Mas acredito que vão receber o relatório e dar a devida atenção.”
A presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, não foi localizada pela reportagem do Jornal da Cidade para se posicionar sobre o assunto. A dirigente petista está em Brasília desde segunda-feira.