08 de julho de 2026
Polícia

Documentos atestam ação de quadrilha

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Cadernos, anotações, agenda e listas com telefones confirmaram a ação da quadrilha que seqüestrava e extorquia empresários em todo o País. A apreensão dos documentos num apartamento em Ribeirão Preto foi simultânea à prisão em flagrante de Cláudio Adriano da Silva. Integrante do grupo que tentava cometer o crime em Jaú, ele foi conduzido à delegacia da Polícia Federal (PF) em Bauru para prestar depoimento.

Graças à ação da inteligência da PF que frustrou o delito e recolheu os papéis, Gilson Barbosa Buriti também foi detido. Conforme o JC publicou ontem, a esposa dele foi ouvida e, posteriormente, liberada. Dependendo do resultado das investigações, ela também pode responder pelo delito.

A mulher estava no apartamento em Ribeirão Preto onde o material foi apreendido por intermédio de um mandado de busca e apreensão. De acordo com o delegado da PF, Gustavo Pachioni Martins, os documentos indicam a participação de aproximadamente oito pessoas no esquema.

“As tarefas eram divididas. As vítimas ficavam em situação de cativeiro”, explica o delegado, sem fornecer mais detalhes para não prejudicar as investigações. Para não colocar em risco a integridade física da pessoa que suspeitou da prática de extorsão e comunicou a PF, um policial à paisana se passou por parente para acompanhar a negociação.

Ele foi ao encontro marcado em frente a uma concessionária de Jaú e impediu que a vítima entrasse num veículo junto com o homem, preso na seqüência. Por causa da ação, o auto de prisão em flagrante foi registrado como tentativa de extorsão mediante seqüestro.

“O homem tentou escapar do flagrante, mas foi imobilizado (pelo efetivo de apoio, que somava cerca de dez homens). Inicialmente ele negou (a participação), mas mediante a apresentação da situação e dos documentos, confirmou”, conta Martins, que acompanhou as investigações presididas pelo delegado Guilherme Lopes Maddarena.

Martins ainda informa que tanto o integrante da quadrilha flagrado em Jaú, que foi reconhecido por uma vítima em Goiás, como o que veio de Ribeirão Preto já estão preso na Cadeia Pública de Avaí. Se condenados, podem pegar até 15 anos de prisão.

Vantagem

As vítimas de Goiás, Tocantins, Paraná e possivelmente da Bahia e do Interior de São Paulo foram lesadas pela quadrilha porque intencionavam fazer um grande negócio. Nutriam a expectativa de pagar R$ 80 mil numa máquina de implementos agrícolas que vale R$ 120 mil no mercado. O preço baixo só seria justificado se o estado de conservação da máquina fosse ruim.

“Não é um caso típico de estelionato, embora a gente saiba que sempre atrás de um estelionatário tem alguém querendo ganhar vantagem. A recomendação é sempre duvidar quando o negócio é bom demais”, alerta o chefe da delegacia da Polícia Federal em Bauru, Carlos Alberto Fazzio Costa.

De acordo com ele, a cautela é importante em qualquer circunstância principalmente quando o negócio parece muito bom. Nesse caso, é recomendável levantar o nome da pessoa com que se pretende fazer negócio, além de informações sobre onde ele reside e se tem antecedentes criminais.

“A pessoa também não deve ir sozinha a encontros, principalmente em locais ermos, e avisar parentes (sobre a negociação). Combinar de ligar em determinados horário (a família pode suspeitar de problemas caso as ligações não sejam feitas). Não há uma fórmula 100% (segura). Todos nós estamos sujeitos”, acrescenta Costa.

____________________

Golpes

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) registra em média um caso de golpe por mês. A maioria das vítimas cai em golpes como o do bilhete premiado e da venda de veículos abaixo do preço. Os prejuízos variam entre R$ 10 mil e R$ 40 mil.

“O golpe só dá certo se a pessoa for egoísta. Tem golpe que só acontece por causa da vítima. Todo negócio bom tem alguma coisa errada”, ressalta o delegado titular da DIG, J.J. Cardia. De acordo com ele, algumas vítimas do golpe de bilhete chegam a brigar com o estelionatário quando percebem que podem deixar de receber o dinheiro que seria oferecido se ajudassem na liberação do recurso.

Neste tipo de crime, uma pessoa com aparência humilde pede ajuda para retirar a verba a que tem direito por ter acertado os números premiados da loteria. Como normalmente uma terceira pessoa envolvida no golpe também se oferece para ajudar, os desentendimentos são comuns, diz o delegado.

“Não existe negócio bom. Tem de desconfiar de tudo. O carro tem de ser comprado na concessionária”, alerta Cardia, fazendo menção aos casos de estelionato envolvendo esse tipo de compra.

Nessas circunstâncias, o banco de uma montadora consta numa divulgação oferecendo preços imbatíveis. Porém, os contatos realizados em outras cidades são feitos com estelionatários, que pedem uma garantia em dinheiro para enviar o veículo.