09 de julho de 2026
Turismo

Café, política e negócios

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de se empanturrar com as carnes argentinas, consideradas mais macias do que as brasileiras, nada melhor do que tomar um café, com pompa e circunstância, numa das premiadas casas de Buenos Aires.

Tempo para relembrar as poesias de Borges, falar das diferenças entre Brasil e Argentina e descansar as pernas para novas investidas.

Os café portenhos são uma instituição argentina. “Fazem parte da vida cotidiana e pertencem à memória coletiva da cidade”, na avaliação da subsecretária de patrimônio Cultural de Buenos Aires, Silvia Fajre.

Amores perdidos, política e economia são apenas alguns assuntos abordados em suas mesas que estão sempre cheias a qualquer hora do dia à espera de grupos que queiram discutir o futuro do país ou apenas relembrar a obra de Jorge Luis Borges ou o tango de Carlos Gardel.

Entre os mais tradicionais, destaque para o Tortoni, na avenida Mayo 800, no bairro de Monserrat, Richamond, Britânio (em San Telmo), El Querandí, Bar Bar O, Hipopotamus, Café Garcia, Dorrego e Notorious (Ricoleta).

O Tortoni, que tem entrada também pela avenida Rivadavia, tem fachada de ferro e vidro, com varandas em estilo francês e é o mais antigo da cidade.

Mesmo quem não se amarra na rubiácea, deve visitar a casa que tem como decoração cem quadros e gravuras e um salão onde são realizados concertos de jazz e tango.

Os acompanhamentos ficam por conta das “medialunas” (meias-luas), que são croassaints amantegados e doces ou fininhos (fatias de pão de forma bem finas e tostadas).

Feiras populares à vista

O chique e raro estão dando espaço para o popular em se tratando de feiras na Capital argentina.

Embora as feiras de San Telmo (antigüidades) e a de Palermo (design) tenham fregueses fixos, uma nova feira está fazendo parte dos roteiros pela cidade: a de Mataderos, que entrou na lista das “novidades” que vêm sendo divulgadas pela Secretaria de Turismo de Buenos Aires.

O bairro localiza-se na parte oeste da cidade e o caminho até lá não é dos mais fáceis. Mas como o preço da corrida de táxi em Buenos Aires é bem mais em conta do que no Brasil, vale a pena entrar num carrão preto-amarelo para a viagem.

A feira é montada junto ao mercado de Hacienda e surpreende pela quantidade de ofertas: roupas, brinquedos, utilidades domésticas, comidas e produtos típicos regionais, incluindo Patagônia e Tucumán.

A feira funciona aos domingos e o nome vem do mercado de Hacienda, uma espécie de matadouro que está sendo fechado por causa do cheiro ruim do gado abatido que gerou reclamação entre os moradores do bairro.

Um tango em La Boca

O tango é a alma de Buenos Aires, autêntico representante do sentimento portenho. Seu ritmo pode ser acompanhado em casas especializadas e no bairro de La Boca, considerado o mais pitoresco da Capital argentina.

Berço do tango, o bairro fica na região próxima ao porto que abriga as famosas casas coloridas construídas com chapas de zinco e madeira, conhecidos como cortiços.

A tradição das cores foi levada ao bairro por seus primeiros moradores - italianos em sua maioria - que não tinham dinheiro suficiente para comprar tintas e recorriam a doações.

Como cada pessoa doava a cor que dispunha em casa, o arco-íris foi se instalando. Hoje, La Boca é o lugar de passagem obrigatória para quem vai a Buenos Aires.

____________________

Arte

Cultura, história e arte fazem parte da rotina dos portenhos que já tinham o Museu de Belas Artes e que ganharam, há três anos, um novo museu: o Malba, concebido com a missão de colecionar, conservar, estudar e difundir a arte latinoamericano desde o século 20 até a atualidade.

O acervo do Malba está integrado pela coleção Constantini, um conjunto de obras de arte que mostra a história plástica da América Latina da vanguarda às manifestações contemporâneas.

A coleção conta com 228 peças de 78 artistas da Argentina, Brasil, Colombia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, México, Uruguai e Venezuela. Entre as mais representativas se encontram: Manifestación (1934) de Antonio Berni, Los Viudos (1968), de Fernando Botero; Bicho (1960), de Lygia Clark (An American in Paris (1929), de Miguel Cobarrubias; El acordeonista (1922), de Pablo Curatella Manes; Rompecabezas (1968/70), de Jorge de la Vega; Mulheres de pescadores (1938), de Emiliano di Cavalcanti; Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral; Camcomble (1921), de Pedro Figari; Autorretrato con chango y loro (1942), de Frida Kahlo; Siete últimas canciones (1986), de Guilhermo Kuitca; La mañana verde (1943), de Wifredo Lam; El estudiante (1937), de Augustín Lazo; Sept mouvements sourpises (1966), de Julio Le Parcd; Los Desastres del misticismo (1942), de Roberto Matta; La canción del pueblo (1927), de Emilio Pettoruti; retrato cubista de Ramón Gómez de la Serna (1915), de Diego Rivera; La distancia de la mirada (1976), de Antonio Seguí; Composición simétrica universal en blanco y negro (1931), de Joaquín Torres García; Ócono (1945), de Remedios Varo e Pareja (1923), de Xul Solar.

• Serviço

As operadoras de turismo, entre elas a Flytour, têm pacotes para Buenos Aires a partir de US$ 325.

Consulte seu agente de viagens.