09 de julho de 2026
Polícia

Empresária sofre tentativa de extorsão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu ontem dois rapazes acusados de tentar extorquir uma empresária de Bauru que chegou de uma viagem a Portugal a trabalho no início desta semana. A vítima, que é consultora de importação e exportação, recebeu telefonemas de uma pessoa que exigia R$ 70 mil.

O interlocutor fez ameaças, inclusive de raptar o filho da consultora, de apenas 2 anos e 4 meses. “Quem me ligou disse que sabia tudo sobre a minha vida, que eu havia comprado um carro e um apartamento recentemente, e que, se não recebesse o dinheiro, iria eliminar a minha família, começando pelo meu filho”, relata a vítima, que preferiu não ter o nome divulgado.

O interlocutor ainda avisou que ligaria mais tarde para combinar o recebimento do dinheiro. Assim que recebeu a ameaça, através de celular, a consultora procurou a Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra). “Desconfiei que quem estava me ameaçando era alguém próximo a mim porque realmente sabia tudo da minha vida”, comenta.

O delegado J.J. Cardia, titular da DIG/Garra, orientou a consultora a negociar o valor do pagamento com o interlocutor enquanto ele rastreava o telefone usado para fazer as ameaças. “Mas todas as vezes as ligações partiam de telefones públicos”, conta Cardia.

Após cerca de dez telefonemas entre terça-feira e ontem, o interlocutor aceitou a proposta feita pela consultora, de pagar R$ 36,5 mil. Ele determinou que ela jogasse o pacote com o dinheiro em um terreno baldio da quadra 2 da avenida Jânio Quadros. Porém, Cardia montou um esquema para prender a pessoa que estava fazendo as ameaças na hora em que fosse receber o dinheiro.

“Mas antes, para não levantar suspeita caso alguém estivesse vigiando a vítima, um policial foi ao banco onde ela iria sacar o dinheiro e conversou com o gerente. Eles combinaram que a consultora deveria ser atendida por ele próprio porque quantias altas não são retiradas diretamente no caixa e receberia um pacote com timbre do banco ao invés do dinheiro”, conta Cardia.

A tática deu certo. Com o pacote contendo somente papel, a consultora seguiu para o local indicado dirigindo seu carro e levando no porta-malas um policial. No local, conforme o combinado pelo telefone, jogou o pacote no terreno baldio. “Quando ela estava saindo, apareceu um rapaz de moto, que estava parado na esquina, para pegar o pacote, e nós o prendemos”, diz o delegado.

O rapaz é o vendedor Sílvio Carlos Martins da Silva, 36 anos. De acordo com Cardia, assim que foi preso, ele confessou que estava agindo juntamente com o colega de trabalho Emerson Alessandro Panobianco, 32 anos, que é primo da consultora. Os dois foram presos por tentativa de extorsão, crime que prevê pena de quatro a dez anos de reclusão.

Além da dupla, que foi recolhida à Cadeia de Avaí, o delegado vai indiciar uma mulher que mora em São Paulo e é tia de Panobianco e da vítima. A mulher, que seria a autora intelectual da tentativa de extorsão, havia telefonado para a vítima no dia que ela chegou de viagem e feito várias perguntas sobre quanto havia ganhado com o trabalho em Portugal.

“Quando eu recebi o primeiro telefonema, já desconfiei dessa minha tia. Mas do meu primo eu jamais esperava uma coisa dessas. Ele era como meu irmão, sempre eu o ajudei”, comenta a consultora.