10 de julho de 2026
Regional

"Se pudesse escolher, eu ficaria"

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 1 min

Uma das moradoras mais antiga da favela do Jardim São Vicente, em Agudos, Natalina Aparecida de Oliveira, 47 anos, disse à reportagem que se pudesse escolher optaria por ficar onde está.

Ela ainda não está convencida de que morar em uma casa de alvenaria, com toda a infra-estrutura básica disponível, será melhor para ela. Natalina alega que está acostumada com a vida que leva e gosta do lugar, onde chegou há 12 anos.

Uma das coisas que mais a preocupa é o futuro de seu bar - um barraco minúsculo no alto do morro onde vende salgadinhos, entre outras poucas opções. Em funcionamento há dois anos e meio, o comércio transformou-se na única fonte de renda de Natalina. “Quero ver se quando eu sair daqui vão me dar um bar para continuar trabalhando”, cobrou.

Jussara de Paula, 38 anos, outra moradora da favela, diz que uma das principais dificuldades vividas no lugar é conviver com o esgoto a céu aberto. Ela conta que os barracos têm fossas, mas os vazamentos são comuns e o esgoto vai escorrendo morro abaixo e atinge as moradias vizinhas. Segundo ela, a Sabesp cobra R$ 50,00 para esvaziar as fossas e nem sempre os moradores têm esse dinheiro para pagar pelo serviço.

No pé do morro, onde termina a favela, Tatiana Regina Teodoro, 21 anos, mora com os dois filhos pequenos. Ela chegou há cerca de oito meses e afirma que não vê a hora de poder sair. O barraco onde vive está totalmente inclinado e parece que vai desabar a qualquer momento. Apesar da precariedade, ela disse ter pago R$ 40,00 pela “casa” e outros R$ 20,00 pelas telhas.