08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sentimentos de paz


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Costuma-se dizer que a melhor defesa é o ataque. Os chineses construíram uma enorme muralha para defender suas fronteiras. Os americanos, ao invés, sentindo-se ameaçados em casa, atacam os países que julgam seus inimigos; destroem suas defesas, derrubam seus governos, massacram as populações. Os que não querem seguir o exemplo dos antigos chineses tentam imitar, em suas vidas, a atitude belicista dos modernos americanos. Em outras palavras, julgando ineficiente ou insuficiente o método do isolamento, tentam armar-se.

Mas o pior de tudo, com esse método, criamos uma sociedade cada vez mais violenta. Violência gera violência. Basta olhar o modelo da Palestina, onde israelenses e palestinos se defrontam com ódio mortal, ou dos americanos no Afeganistão e no Iraque, onde, não sem razão, sofrem as conseqüências de sua invasão, no assassinato quase diário de seus homens. A tentação da violência, armando-se até os dentes, não segue os ditames da razão, mas da dos instintos. Ou melhor ainda, situa-se no plano da física, da ação e da reação. Em outras palavras, na física, a cada ação corresponde uma reação, na sua exata proporção. Quando, porém, essa lei passa para o plano da vida e se reveste de sentimentos, a reação costuma ser maior que a ação. Falemos então de espiral da violência. A lei de talião “olho por olho e dente por dente” está na proporção física. Se alguém me arranca um olho, julgo-me no direito de lhe arrancar os dois, e minha vítima, por sua vez, pensa estar justificada sua atitude de assassinar-me.

Portanto, o armamento, tanto nacional como pessoal, não é bom presságio. A máxima dos romanos “si vis pacem, para bellum” (se queres a paz, prepara a guerra), não deu frutos. Pacem in Terris (Paz na Terra), esse modelo de buscar a paz e propõe algo que deveria ser evidente para todos: “Se queres a paz, prepara a paz”. E exortava a desarmar não só as mãos das tantas e sofisticadas armas, que lhes são entregues, mas também e principalmente os espíritos; nutrir pensamentos, vontade e sentimentos de paz.

João Álvares - da Ordem dos Velhos Jornalistas