O português Duarte da Silva, que chegou a Bauru com 12 anos, em 1915, morreu ontem aos 101 anos. Nascido no distrito de Coimbra, ele deixou pais e irmãos em sua terra natal para iniciar uma nova vida no Brasil, há 89 anos.
Logo que chegou a Bauru, ele trabalhou em uma padaria, de propriedade de um primo. Nos anos 20, adquiriu seu próprio negócio, a Padaria e Confeitaria União do Brasil, na Vila Falcão, em sociedade com o primo que o empregara anteriormente.
O negócio prosperou e Duarte da Silva trouxe de Portugal seis dos nove irmãos que lá residiam e os colocou como sócios da empresa. Mais tarde, entrou no ramo de venda de material de construção fundando a Serraria Brasil, também na Vila Falcão, em sociedade com Antonio Pereira. Logo depois vendeu aos irmãos sua parte na padaria para dedicar-se ao novo empreendimento, no qual encerrou sua carreira em fins dos anos 50.
Como nos anos 30, Duarte da Silva havia tornado-se sócio da Sociedade Beneficente Portuguesa, ainda ocupou cargos na diretoria da entidade. Por muitos anos foi presidente-executivo, em cuja gestão construiu, e em 1978, inaugurou o Hospital Beneficiência Portuguesa.
Atualmente, Silva era presidente de honra da Beneficiência, entidade à qual dedicou mais de 60 anos. Também fez parte da Associação Comercial de Bauru, mas não esquecia de Portugal, para onde sempre viajava para rever amigos e familiares.
Duarte da Silva foi casado com Dora Martins da Silva, de cujo matrimônio nasceram os filhos Alcides (casado com Elisa Sampaio), Helena (casada com Luciano Dias Pires), Ercília (casada com Luiz Marini) e Reinaldo (já falecido).
Até poucos dias antes de adoecer, Duarte da Silva ainda comentava sobre sua chegada a Bauru e como a cidade o recebeu de braços abertos. Ele foi enterrado ontem à tarde no Cemitério da Saudade.