Representantes de 21 países da Europa, Ásia, África e das Américas querem levar para seus países o método brasileiro de tratamento para bebês prematuros e de baixo peso batizado de “Mãe Canguru”. O assunto foi um dos destaques essa semana no 1.º Seminário Internacional de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido, realizado no Rio de Janeiro.
Bebês que nascem prematuros e com baixo peso precisam permanecer internados até atingirem o peso mínimo de 2,5 quilos. Nesse período, a criança é mantida em uma incubadora - aparelho que mantém a temperatura corporal adequada, enquanto médicos e enfermeiros monitoram as funções vitais da criança.
A proposta do Método Mãe Canguru é substituir a incubadora artificial pelo contato direto do bebê com o corpo da mãe pelo máximo de tempo possível e desde que a criança possa ser retirada dos aparelhos sem correr risco de morte.
Estudos mostram que além de aquecer e garatir conforto ao bebê, o contato pele a pele com a mãe aumenta a imunidade da criança, favorece seu desenvolvimento e reduz o tempo de permanência no hospital, entre outros benefícios.
A posição canguru surgiu na década de 1970 em maternidades da Colômbia que não tinham recursos financeiros suficientes para oferecer um aporte tecnológico adequado aos bebês prematuros. De lá para cá, ganhou adeptos por todo o mundo.
No Brasil, as primeiras maternidades a trabalhar com a posição canguru foram as dos hospitais Guilherme Álvaro (Santos) e do Instituto Materno e Infantil de Pernambuco (Recife). A partir de então, outras instituições começaram a testar o método - embora nem sempre com a metodologia e critérios adequados, segundo o Ministério da Saúde.
Em 1999, após um ano de pesquisas e observações a Área da Saúde da Criança da Secretaria de Políticas de Saúde do ministério apresentou a proposta da “Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Mãe Canguru”.
Quando a norma foi aprovada, o programa foi incluído no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, o Brasil é o único País no mundo em que o método é utilizado como política pública de saúde.
“A experiência no Brasil é peculiar porque propõe a humanização do Mãe Canguru associada ao aporte tecnológico, ou seja, o contato direto com a mãe não substitui os equipamentos (...) Não abre mão dos recursos tecnológicos que possam ser utilizados para que o recém-nascido tenha o melhor desenvolvimento possível”, explicou por telefone ao JC Saúde a coordenadora nacional de Saúde da Criança, Aléxia Luciana Ferreira.
Presente ao seminário, a pediatra vietnamita Vilenan Nguyen Thu Nga, que coordena os trabalhos em um hospítal pioneiro no uso do método em seu País, reforçou a importância do atendimento diferenciado no caso de recém-nascidos prematuros. “Soubemos sobre o Mãe Canguru pelo jornal. Procuramos nos informar e hoje estamos capacitando hospitais para ampliar o atendimento no País”, contou.
A ucraniana Tatyana Kurilina reforçou os resultados positivos do procedimento, mas admitiu que vem encontrando resistência de médicos em seu País. “Ainda assim, estamos insistindo, pois entendemos que há muitos benefícios”, comentou.
Segundo a coordenadora do Mãe Canguru no Rio, Nicole Oliveira, as dificuldades para para implantação do método vêm sendo superadas no Brasil. “A resistência existiu por que a equipe médica estranhou um pouco a presença da mãe, que fica 24 horas ao lado do bebê, em um quarto conjunto. Mas ela não atrapalha – acaba ajudando o trabalho de todos”, enfatiza.