De acordo com oMinistério da Saúde, o Método Mãe Canguru é desenvolvido em três etapas. A primeira ocorre durante a gestação, no pré-natal, quando o médico identifica que a gestante tem algum risco de dar a luz a uma criança de baixo peso. Nesse caso, ela já recebe apoio psicológico e deve ser orientada sobre os cuidados especiais que deverão ser tomados com ela e com o bebê.
Após o nascimento e havendo necessidade da permanência do bebê em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, a equipe médica deve incentivar os pais a entrar na UTI e estabelecer um contato pele a pele com a criança sempre que isso for possível. Algumas vezes, a condição clínica do bebê impede esse contato, mas por pouco tempo.
Tão logo seja possível, a mulher deve ser estimulada a iniciar o aleitamento materno. A posição canguru deve ser proposta sempre que possível e desejada. Nela, o bebê – vestindo apenas uma fralda - é colocado em contato direto com o corpo da mãe na posição vertical. Uma faixa prende a criança à mãe, imitando a bolsa marsupial de um canguru.
A segunda etapa do método começa quando o recém-nascido adquire uma condição clínica estável, apresenta um ganho de peso regular por pelo menos três dias e tem peso superior a 1.250 gramas. Nesse momento, a mãe tende a estar melhor orientada e mais segura para cuidar do bebê. Mãe e filho já estão na enfermaria, num alojamento conjunto e a posição canguru deve ser mantida pelo maior período possível, enquanto isso for confortável e agradável para ambos.
Quando o bebê ultrapassa um peso mínimo de 1,5 quilo, está clinicamente estável e ganhando pesoemaleitamento materno exclusivo e os pais estão suficientemente seguros e orientados quando ao manuseio da criança, os médicos podem dar alta hospitalar à família. É a terceira etapa do Mãe Canguru, quando mãe e filho vão para casa, mas mantêm o acompanhamento ambulatorial regular.
Segundo o Minsitério da Saúde, nessa fase, o bebê deve ser mantido na posição canguru durante as 24 horas do dia. O paciente deve ser levado ao hospital três vezes por semana na primeira semana após a alta hospitalar. Esse compromisso vai espaçando-se progressivamente até que a criança atinja o peso mínimo de 2,5 quilos. Geralmente, em torno desse peso, a posição canguru já deixa de ser necessária.
A coordenadora de Saúde da Criança do Ministério da Saúde, Aléxia Luciana Ferreira, reitera que o Método Mãe Canguru não substitui as condutas e tratamentos terapêuticos. A prematuridade e o baixo peso no recém-nascido são considerados problema de saúde e exigem diagnóstico preciso e tratamento adequado.
A posição canguru mantida simultaneamente ao tratamento médico contribui no processo de recuperação e na qualidade de vida do bebê. Estudos comprovam que o contato pele a pele entre mãe e filho (a posição canguru também pode ser aplicada por pais e outros familiares) contribui significativamente para a segurança física, biológica e emocional do bebê.
A proximidade estimula o vínculo entre mãe e filho, aumenta a produção do leite materno e beneficia a lactação e amamentação, desperta o sentimento de laços afetivos na mãe e desenvolve nela a autoconfiançade que precisa para cuidar do filho.
Também ajuda no desenvolvimento físico e emocional do bebê, reduz o estresse e o choro do recém-nascido, estabiliza seus batimentos cardíacos, a oxigenação e temperatura do corpo. Possibilita lembrar-lhe do som do coração materno, da voz da mãe, o que transmitem calma, serenidade, segurança e tranquilidade ao bebê - importantes para sua independência no futuro.
Do ponto de vista físico, também propicia a transferência de anticorpos maternos para o recém-nascido por meio do contato (pela pele e ar) e do colostro e leite maternos. Isso diminui o risco de infecções cruzadas e hospitalares e acelera a recuperação da criança.Além de tudo isso, o contato mãe e filho reduz os casos de abandono de bebês em maternidades e o tempo de permanência de ambos no hospital.