08 de julho de 2026
JC Criança

Doces: para comer e se lambuzar


| Tempo de leitura: 5 min

Feche os olhos e pense numa coisa bem gostosa para comer depois das refeições. O que você pensou? Num doce, claro! Ai que delícia! Mas será que existe uma história por trás de cada doce? Ou os nomes servem para despertar a curiosidade das pessoas e para dar o jeitão do doce, como o popular pé-de-moleque? História verdadeira ou lenda, muitos doces têm seus nomes inspirados em amores, como os doces portugueses suspiro, sonho, espera-marido ou bem-casado.

Desde que o açúcar circula pelo mundo, seja mascavo, refinado ou na forma de mel ou fruta, ele é sinônimo de energia e de cultura. Até o final da Idade Média, o açúcar era uma mercadoria rara. Os médicos o indicavam para curar resfriados e dores de estômago. Era também usado como tempero de comida, como a canela ou a pimenta-do-reino. Com o cultivo da cana-de-açúcar na América, no século 16, o açúcar passou a ser apreciado em forma de sobremesa.

O remédio virou sobremesa

O açúcar brasileiro mudou o gosto do mundo europeu. O produto, até o século XVI, era vendido em farmácias como remédio ou fazia parte de heranças reais. Valia ouro!

O caminho do açúcar até o Brasil foi longo. Há cerca de 6 mil anos, os chineses já sabiam tirar o açúcar da cana. O produto já fazia grande sucesso e a cultura da cana se espalhou pela Ásia. O açúcar chegou à Europa há 23 séculos, trazido pelos exércitos de Alexandre Magno, quando regressaram da expedição de conquista da Índia.

O Oriente era o maior fornecedor de açúcar do mundo ocidental e eram os negociantes de Veneza que iam a Alexandria buscar o açúcar trazido da Índia. Na cidade italiana, foram construídas as primeiras refinarias de açúcar. No começo do século XV, a situação mudou.

O Infante D. Henrique levou a cultura da cana à Ilha da Madeira, que começou a vender açúcar para todos os países da Europa. Em 1497, Vasco da Gama descobria o cabo da Boa Esperança, abrindo aos portugueses o caminho para a Índia. Então, os portugueses tornaram-se os maiores negociantes de açúcar.

A utilização do açúcar como adoçante, em substituição ao mel, causou na Europa do século XVI uma revolução no comportamento faz pessoas e no comércio, já que o produto era usado apenas como remédio.

Especialistas em doces

No Brasil, produzidos e encaixotados pelos engenhos, os “pães de açúcar” eram embarcados para Portugal e Holanda, onde eram refinados. O produto final era comercializado na Europa por mercadores portugueses e flamengos.

Os portugueses trouxeram para o Brasil biscoitos, recheados ou não, que se comiam a bordo dos navios. Eram especialistas em doces: sonhos, pão-de-ló, manjar branco.

Em 1532, na capitania de São Vicente, Martim Afonso de Sousa deu início à grande expansão do açúcar, e também deu o pontapé inicial da propagação brasileira da paixão portuguesa pelo doce, ao instalar a sua fábrica de marmeladas.

Adoçando a história

A cana, planta de onde retiramos o nosso açúcar para fazer aqueles maravilhosos doces, está nesse mundo há mais tempo do que você imagina: ela é cultivada desde o ano 20 mil antes de Cristo! Os habitantes das ilhas do Sul do Pacífico foram os primeiros a descobrir as saborosas propriedades desta planta.

Cultivada pela primeira vez lá em Papua Nova Guiné, a cana seguiu seu rumo espalhando-se pelas ilhas vizinhas, como Fiji e Nova Caledônia. Aventureira e destemida, ela continuou sua viagem adocicada pelas Filipinas, Indonésia, Malásia e Índia.

Aliás, os indianos foram os primeiros a utilizar o suco da cana para produzir o açúcar “bruto”! Isso aconteceu por volta do ano 500 antes de Cristo, e o tal açúcar recebeu o nome de gur.

A produção dessa doçura se espalhou entre os povos do Oriente Médio: os árabes aprenderam com os persas a fazer açúcar sólido e assim, mais ou menos no século 3 antes de Cristo, surgiram as “rotas do açúcar”: caravanas se encarregavam de vender o produto nos países asiáticos e africanos.

A América do Sul só foi sentir o doce gostinho do açúcar quando Cristóvão Colombo levou plantas de cana-de-açúcar das ilhas Canárias para serem cultivadas em São Domingos, hoje conhecida como República Dominicana.

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Você conhece os tipos de açúcar?

Açúcar é sempre doce, mas essa gostosura assume várias formas. Quer ver?

• Refinado: é o açúcar branquinho que a gente usa sempre. Ele é obtido a partir do açúcar cru, que passa por processo de refinamento, quando todas as impurezas são eliminadas, até chegar à cor branca.

• Orgânico: é aquele açúcar granulado, um pouco mais grosso, com uma cor meio dourada. Ele adoça tanto quanto o açúcar refinado.

• Mascavo: esse tipo de açúcar é formado por cristais grandes e escuros (de cor marrom), e possui sabor um pouco forte. Ele contém cálcio e ferro, e é bastante usado em produtos naturais.

• Cristal: é o açúcar refinado em cristais grandes e transparentes, daqueles difíceis de dissolver na água! As quituteiras preferem o cristal, porque ele é mais econômico e rende mais. Para quem cozinha muito, é uma grande vantagem, né?

• Confeiteiro: é refinado e misturado com amido de arroz, de milho ou fosfato de cálcio para evitar a formação de pedras. Usado no preparo de glacês e coberturas, o acúcar de confeiteiro serve também para polvilhar pães, bolos e sonhos. Hummm!

• Açúcar líquido: Esse açúcar é obtido com a dissolução do açúcar refinado de cana ou beterraba em água. É utilizado nas fábricas de enlatados de frutas, em bebidas gasosas, bombons e sobremesas congeladas.

• O açúcar de beterraba: A cana de açúcar é uma planta que adora clima quente e úmido, ou seja, ela “odeia” a Europa, onde o clima é predominantemente frio e seco... Mas como os europeus adoçariam seus pratos e suas vidas sem essa planta? Séculos atrás, o açúcar foi tão cobiçado por eles que acabou recebendo o nome de “ouro branco”!

Encafifados com a situação, em 1747, o químico alemão Andreas Marggraf desenvolveu uma alternativa: produziu açúcar cristalizado a partir do suco extraído das raízes da beterraba!

A idéia deu tão certo que, aos poucos, a beterraba tornou-se a principal fonte de açúcar na Europa. E, em 1796, Franz Carl Achard instalou a primeira refinaria de açúcar de beterraba!