08 de julho de 2026
Geral

Falta de tratamento é vilão do diabetes

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Há exatos 82 anos, em 14 de novembro de 1922, o médico canadense Frederick Banting descobria a insulina, medicamento responsável por revolucionar o tratamento do diabetes, doença que atualmente atinge 170 milhões de pessoas em todo o planeta e que hoje tem o seu Dia Mundial promovido pela Federação Internacional de Diabetes. Além de lembrar tais fatos, a data serve para trazer à tona uma realidade alarmante: a falta de adesão ao tratamento da doença ainda é um dos principais empecilhos ao seu combate.

O alerta é feito pelo endocrinologista Carlos Antônio Negrato, fundador da Associação dos Diabéticos de Bauru. “O segredo do sucesso contra o diabetes é a disciplina para seguir à risca o tratamento, e o paciente que se educa nesse sentido certamente colherá bons resultados. É preciso querer se ajudar”, enfatiza.

O médico desenvolveu um trabalho inédito sobre a doença, premiado internacionalmente, que apontou que o controle do diabetes passa por um processo de educação continuada. “Demonstramos que os pacientes educados para executar o tratamento contínuo, acompanhados por endocrinologistas, oftalmologistas, nefrologistas, cardiologistas, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e podólogos, sofrem menos complicações e demonstram maiores evoluções no combate ao diabetes”, destaca Negrato.

O médico esclarece, no entanto, que o combate à doença exige tratamentos particularizados. “Não há regras específicas, pois há tipos diferentes do diabetes. Ele precisa ser individualizado caso a caso, como o dos obesos e hipertensos, bem como os exercícios físicos serem recomendados de acordo com a capacidade física dos indivíduos”, afirma.

Ele sustenta que as causas mais comuns da desistência do tratamento originam-se em uma combinação que mistura a falta de informação com medos, tabus e os preços dos medicamentos. “Muitos escondem ser diabéticos por receio de serem discriminados ou segregados, pois uma de suas conseqüências pode ser a impotência sexual, ou mesmo por acharem que é uma doença contagiosa. São comportamentos que colaboram para a formação de um verdadeiro coquetel molotov para o diabetes explodir”, considera Negrato.

Prova disso, acrescenta o endocrinologista, é que a quantidade de diabéticos não pára de crescer no Brasil e no mundo. “Os números da Organização Mundial da Saúde (OMS) não mentem”, frisa Negrato. Segundo a OMS, enquanto, em 1985, 30 milhões de pessoas tinham a doença, em 2000 a incidência saltou para 150 milhões. “E até 2025, a quantidade deve dobrar”, adverte. Já em Bauru, ele informa que os dados disponíveis referem-se à incidência da doença em crianças e adolescentes: 10,8% para cada grupo de 100 mil habitantes.

Negrato credita a evolução da doença ao que ele classifica de “ocidentalização” mundial dos hábitos alimentares e dos estilos de vida. “O aumento da obesidade, do sedentarismo, da ingestão de alimentos ricos em calorias e gorduras, além do estresse e da migração das áreas rurais para urbanas, são os principais responsáveis. Por isso, para diminuir a elevação do diabetes, é fundamental modificar comportamentos, o que não é fácil”, diz.

Dos seus 9 anos de idade, a pequena Fernanda luta bravamente há oito anos contra o diabetes tipo 1. Sua mãe, Ângela Maria Orestes de Souza, reconhece que a tarefa não é das mais fáceis em virtude, principalmente, dos custos necessários para o tratamento.

Mesmo assim, ambas são exemplos de persistência. “É difícil, pois mesmo com toda a atenção que a gente dá ela ainda têm algumas recaídas. Por isso, ficamos atentos todos os dias, principalmente porque se trata de uma criança”, considera. Um exemplo das dificuldades, conta Ângela, foi a necessidade de se desfazer de vários bens materiais para poder arcar com o tratamento da filha. “Tem hora que a gente não sabe mais o que fazer”, lamenta.

No entanto, a situação melhorou quando ela e mais uma amiga, Patrícia Bonetti Rego Limão, cuja filha Michele também sofre com a doença, descobriram a existência de uma lei que garante medicamentos e equipamentos gratuitos para crianças até 18 anos. “Entramos na Justiça e ganhamos esse direito”, ressalta Patrícia.

Você sabia que os diabéticos...

• Têm 40 vezes mais chances de sofrer uma amputação de membros do corpo?

• Têm de duas a três vezes mais possibilidades de morrer por qualquer doença?

• Têm 25 vezes mais chances de desenvolver cegueira?

• Têm 17 vezes mais possibilidades de sofrer doenças renais ou necessitar de transplantes ou diálises?

• Já são 7,6% da população entre 30 anos e 69 anos no País?

Sintomas: Sede, fome e micção excessivas e perda de peso

• Serviço:

A Associação dos Diabéticos de Bauru localiza-se na avenida Nações Unidas, 28-40. O telefone é (14) 3224 2908.