08 de julho de 2026
Política

Área de livre comércio pode ser viável

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Para o advogado e especialista em direito internacional Daniel Freire e Almeida, a reeleição do presidente George W. Bush é o momento ideal para o Brasil iniciar uma maior aproximação, já que nos últimos anos o País não teria se mostrado receptivo a iniciar novas negociações políticas e comerciais com os EUA. Ele ressalta o crescimento do México como exemplo de uma aproximação bem-sucedida com o mercado americano e aponta a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como uma solução viável.

“Temos de perder o receio de achar que qualquer relação comercial com os americanos será desvantajosa, o que não é verdade. Os EUA são o maior comprador de produtos brasileiros, e temos de aumentar as exportações para eles. Outros blocos, como a China e a União Européia, também merecem atenção. Se pretendemos ampliar o comércio, buscando menores alíquotas, temos de tomar essa iniciativa pelas áreas de livre comércio, como a Alca”, indica o especialista em direito internacional.

Na opinião do historiador político Maximiliano Martin Vicente e do diretor comercial da Eadi-Bauru, Maurício Gonçalves de Moura, o Mercosul seria o melhor caminho para a aproximação de seus integrantes com o mercado americano. “Nosso grande problema é a consolidação do Mercosul, que precisa ser reafirmada”, analisa Vicente.

Moura observa que a posição do Brasil frente ao Mercosul seria ideal para a obtenção de resultados positivos a médio e longo prazo. “No comércio internacional, a história mostra que os melhores resultados são obtidos com muita negociação, e muitas vezes, como o Brasil tem feito no Mercosul, é necessário abrir mão de algumas situações para conseguir sucesso em outras. O Mercosul trouxe um fortalecimento para os países membros, e sem dúvida, dará força maior na negociação coletiva com as potências e outras áreas de livre comércio”, aponta Moura.

O economista Reinaldo Cafeo reitera que a investida brasileira para o mercado internacional poderia se dar tanto na defesa de seus interesses quanto através do Mercosul, pois o País já se tornou um parceiro importante dos EUA. Ele constata também como necessária a integração e aproximação com outros mercados, como a China. “A reeleição de Bush passa a ser vantajosa em função de sua postura mais internacionalizada”, completa.

Na comparação entre os anos de Bill Clinton e de Bush frente à Casa Branca, Cafeo observa as diferenças na relação dos presidentes americanos com os brasileiros, e se mostra otimista quanto à política externa de Lula em relação aos EUA. “Clinton teve uma relação mais forte com Fernando Henrique, e o Lula já se relacionou dois anos com o governo Bush. Lula se configura como líder dos países em desenvolvimento, notadamente da América Latina. Se fôssemos comparar, diria que o Clinton foi melhor para o Brasil, mas comparando os anos de FHC e de Lula, digo que o Lula pode ultrapassar essa barreira que o Bush trouxe como inibidor”, finaliza.