11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Prefeitura não faz repasse às farmácias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os servidores públicos municipais estão impedidos de comprar remédios, via convênio, em algumas farmácias de Bauru. O benefício foi suspenso em parte dos estabelecimentos porque a administração municipal deixou de repassar às drogarias o valor que é descontado mensalmente do holerite dos funcionários. O problema, que não é inédito, já se arrasta há quatro meses.

“A gente compra à vista para tentar repassar num preço bom. Não deu para segurar mais. Esse mês (no dia 10) suspendemos o convênio. Já deixei de atender uns 20 servidores. Alguns tomam medicamento de uso controlado, contínuo. Meu medo é que algum funcionário entre com representação no Ministério Público porque não estamos vendendo, sendo que eles estão pagando”, confessa José Lourenço Caneschi, proprietário de uma farmácia situada na Vila Paraíso.

De acordo com ele, a administração municipal alega falta de recursos para quitar o débito de aproximadamente R$ 25 mil referente às vendas realizadas em duas drogarias, sendo a segunda instalada no Parque Jaraguá (de propriedade só do sócio dele). “Como está em fim de governo, o prefeito não deve estar muito preocupado com isso. Talvez as grandes redes consigam suportar mais. A gente não consegue”, explica Caneschi.

O proprietário de uma grande rede, que preferiu ter o nome preservado, mantém o atendimento aos servidores, mas não descarta a possibilidade de suspendê-lo caso a situação não seja resolvida. Segundo ele, como as vendas são mais volumosas, o prejuízo é proporcional.

“Nessa época do ano é normal (atrasar) porque as receitas da prefeitura caem. Mas nesse ano está mais atrasado. Talvez a prefeitura esteja mais endividada. A gente vem suportando para não prejudicar o servidor, que não tem culpa”, diz.

Mesmo assim, um funcionário público que preferiu não se identificar por temer represálias foi impedido de comprar um remédio respiratório de uso contínuo num outro estabelecimento. “Eu me sinto traído. Para mim isso é roubo contra o servidor. Pensei em ir à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Vou arrumar dois colegas e fazer isso”, diz.

Iniciativas como a dele contribuem com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), que está colhendo depoimentos e casos concretos para adotar as providências jurídicas pertinentes.

“O sindicato entende que isso é um desvio de finalidade do dinheiro descontado, que deveria ir aos credores. Temos ainda que apurar quais danos estão sendo causados aos servidores (como negativação do nome)”, conclui o advogado do Sinserm, Sandro Fernandes.

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Prefeitura nega

A administração municipal nega a acusação das farmácias. Segundo o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, todas as drogarias receberam na última sexta-feira o repasse referente ao mês de setembro.

“Faltou só outubro (os outros já foram pagos). Quando a gente paga, a gente paga para todas. Aqui se paga de acordo com o fluxo de caixa, que é oscilante. O pagamento sempre ocorre com atraso. Realmente a gente faz o desconto em folha de pagamento, mas não ficamos com o dinheiro guardado numa gaveta. Os repasses são compromissos que cumprimos quando os recursos entram”, informa Marsola.

Na opinião dele, alguns representantes do segmento estão pressionando a administração municipal porque têm medo que as contas não sejam pagas por ser final de governo. “A gente não pode deixar (a conta) para o próximo governo.”