09 de julho de 2026
Regional

Grupo de sem-terra do MST invade área na região de Iaras

Sérgio Pais (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 2 min

Três dias após desocupar a Fazenda Rio Pardo, próxima ao município de Iaras, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu ontem nova ocupação na região, desta vez na Fazenda Capim, localizada na “tríplice fronteira” entre Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, a cerca de 80 quilômetros ao sul de Bauru.

Segundo informações do tenente Alan Terra, da Polícia Militar (PM) de Lençóis Paulista, cerca de 180 integrantes do MST invadiram a sede da Fazenda Capim e, munidos de armas de fogo, atacaram, renderam e desarmaram três vigias que cuidavam da propriedade.

Acionada, a PM deslocou para a região cerca de 30 homens de diversos destacamentos - além dos de Lençóis Paulista, também participaram policiais de Agudos e Iaras. “Como ainda não há informações sobre mandado judicial para reintegração de posse, nossa missão foi apenas a de manter a ordem”, explicou o tenente Terra.

Além de garantir a segurança na região, a PM também negociou com os sem-terra a devolução das armas tomadas dos vigias da fazenda. Após devolvidas, as armas acabaram entregues a agentes da Polícia Federal (PF) de Marília.

Ainda segundo a PM, a Fazenda Capim integra um conjunto de propriedades na região em nome de Emiliano Novaes, que conta ainda com as fazendas Agrocentro, Lagoa Seca e Turvinho. A reportagem não conseguiu fazer contato com integrantes do MST para explicar se a ocupação faz parte do conjunto de ações do chamado “novembro vermelho”.

Na última sexta-feira, após quatro horas de negociações com a PM, os integrantes do MST decidiram desocupar a fazenda Rio Pardo, em Iaras. A área havia sido invadida na quarta-feira por 800 integrantes. A ordem de despejo foi concedida na quinta-feira, pelo juiz Cláudio Salvetti D’Angelo, do Fórum de Cerqueira César.

A retirada dos invasores foi requerida pelos advogados do empresário Antonio Abdalla, dono da fazenda. Os sem-terra, que haviam sido intimados da liminar na quinta-feira mesmo, pretendiam negociar mais prazo para deixar a área. A PM não fez concessões.

Depois de uma assembléia, os líderes do MST informaram que o grupo ia deixar a fazenda pacificamente e seguir para um acampamento do MST localizado a 15 quilômetros da área invadida, no mesmo município.