Todos os dias, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) conserta vazamentos na rede subterrânea de água ou esgoto e reconstrói o asfalto em cerca de 100 pontos de Bauru. Mas nem sempre o pavimento fica como era antes. Em muitos locais, o reparo não resiste à ação do tempo e ao tráfego e surgem depressões no asfalto e até buracos que representam perigo, principalmente a motociclistas, como na quadra 6 da rua Gonçalves Dias, na Bela Vista.
No exato lugar onde o DAE fez um conserto meses atrás, o asfalto cedeu e surgiu uma cratera de cerca de 60 centímetros de profundidade. “Hoje mesmo quase que um motociclista caiu neste buraco. Parece que está oco”, comenta Cláudio Garcia, morador da via.
O mesmo ocorre na quadra 7 da rua Albuquerque Lins, também na Vila Falcão. “Aqui, a rede de água estoura uma vez por ano. O DAE vem, conserta o vazamento, põe terra e refaz o asfalto, mas logo surge um novo buraco. Parace que o asfalto é só uma casquinha”, relata o aposentado José Gomes de Souza, morador na via.
Para o engenheiro Celso Donizeti, que já foi secretário das Administrações Regionais (Sear), se o trabalho fosse padronizado, esses problemas poderiam ser reduzidos. “O que falta é metodologia, padronização na realização do serviço seguindo normas técnicas”, afirma Donizeti.
Ele ressalta que para tapar um buraco no asfalto é preciso usar a terra adequada, compactá-la e fazer uma base de pedras ou mistura de cimento e areia antes de pavimentar o local novamente. “O segredo da durabilidade do conserto é a estabilidade da base”, diz. Para padronizar o trabalho, Donizeti sugere inclusive a elaboração de uma cartilha e um curso para os servidores que integram as equipes de tapa-buracos.
Um funcionário do DAE, que preferiu não se identificar, confirma que a qualidade do trabalho é irregular. “Tem locais que o reparo no asfalto é muito bem feito, mas em outros, não. Algumas vezes, a equipe que faz o asfalto nem chega a começar o trabalho porque percebe que a terra não foi bem compactada”, diz.
A assessoria de imprensa do DAE, que reconhece que em alguns casos o reparo no asfalto não resiste ao tempo, ressalta que existem vários fatores capazes de causar a anomalia. O principal é a volta do vazamento nas tubulações - que retira a sustentação de terra abaixo da capa asfáltica -, a intensidade do tráfego e tipo de solo.
Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE, argumenta que os funcionários da autarquia seguem normas internas para realizar o trabalho e utilizam equipamentos recomendados para a atividade, como máquina para cortar o asfalto e compactador. “As equipes de manutenção seguem as orientações de um encarregado, que inclusive vistoria os trabalhos. E não temos reclamações do serviço feito”, diz.
Ela garante que é utilizada a terra adequada para tapar buraco, assim como é feita a compactação seguindo as normas técnicas. Também afirma que é feita uma base antes de colocar o asfalto, diferente do que o JC constatou ao acompanhar um reparo na quadra 3 da rua Irmã Arminda, ontem.
Porém, Sandra diz que a proposta da cartilha para orientar o reparo no asfalto será levada à Comissão de Qualidade Total do DAE, que reúne funcionários de todos os setores da autarquia.
Atualmente, além do conhecimento técnico exigido na prova prática do concurso para admissão, o DAE não oferece curso específico sobre como tapar buracos. “Como encanador e o auxiliar de encanador, o funcionário precisa saber como fechar o buraco até para não danificar a rede de novo”, diz Sandra.
Em cada intervenção, o DAE mobiliza dois tipos de equipes nos trabalhos. Uma de encanadores e auxiliares e outra responsável pelo reparo da capa asfáltica. Ainda de acordo com a autarquia, o lapso de tempo entre o fim do trabalho de conserto na rede e a cobertura do buraco com asfalto não ultrapassa 24 horas.
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Elogios
Nem todos reclamam do serviço de conserto de vazamentos de água e esgoto e reparo no asfalto feito pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). A aposentada Laides Miguel da Silva, que mora na quadra 3 da rua Irmã Arminda e se autodenomina inspetora do quarteirão, elogia o trabalho.
“Nos últimos meses tivemos dois vazamentos nesta quadra e o DAE veio consertar no mesmo dia que liguei. E não tenho do que reclamar do reparo que fizeram. Para mim, eles são nota 10”, atesta ela ao observar os funcionários da autarquia terminar em mais um reparo.