08 de julho de 2026
Rural

Frigoríficos 'esperam' mercado chinês

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Cansados de ouvir que a China irá finalmente abrir seu mercado para a carne brasileira, os frigoríficos da região de Bauru não arriscam fazer projeções sobre os acordos Brasil-China assinados pelo Governo Federal semana retrasada. Expectativa há, mas nada que leve a uma euforia capaz de produzir estrondos de rojões. O setor se posiciona um tanto reticente em relação à China porque as negociações com o Brasil se arrastam desde 2002, sem grande avanço até o momento.

O ânimo dos exportadores pode ser medido pela nota enviada à reportagem do JC pela direção do Frigorífico Mondelli de Bauru: “Sobre as exportações para a China, a empresa aguarda a abertura para analisar a questão. Portanto, no momento a empresa gostaria de não comentar sobre o acordo sem uma posição concreta”.

No mesmo sentido tem se manifestado o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carnes (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes, ressaltando que os acordos representam um bom começo. Entretanto, avalia que falta muito a avançar em se tratando de exportações para a China.

O Brasil exporta carne bovina para mais de 100 países, conforme dados da Abiec. Prova deste dinamismo, o Frigorífico Mondelli vende para todos os países que fazem parte da Comunidade Européia, Israel, Oriente Médio, países árabes como Egito, Arábia Saudita, Kuait e Emirados Árabes. O produto da empresa chega também à Hong Kong, Cingapura e Filipinas. No continente africano, abastece a África do Sul, Angola e Argélia. No mercado latino-americano vende para Chile e Peru. A Rússia também é um mercado atendido pelo frigorífico bauruense, mas no momento as exportações para este país estão vetadas, com exceção dos produtos de Santa Catarina. O Mondelli vende para o Exterior carne bovina in natura, embarcando mensalmente uma média de 1.500 toneladas do produto.

As empresas do setor se colocam na defensiva para evitar, entre outras reações negativas, especulações que fazem com que o pecuarista adie as vendas aos frigoríficos no aguardo de uma valorização do seu produto, o que pode promover uma elevação de preços.

A direção do frigorífico Frigol, da cidade de Lençóis Paulista, reagiu com cautela ao anúncio de acordos de exportação para China. A empresa preferiu não comentar a possibilidade de ampliação das exportações para os chineses. O Frigol já exporta carne bovina para a China via Hong Kong.

O responsável pelo tema exportações no Frigorífico Bertin, com sede em Lins, se encontra em viagem de trabalho, o que impossibilitou um pronunciamento da empresa. O Itabom, da cidade de Itapuí, também foi procurado pela reportagem do JC, mas até o fechamento desta edição não se pronunciou sobre a possibilidade de exportação para a China.

O esforço do setor de exportação de carne tem se concentrado, nos últimos dias, em convencer a missão russa que visita o País de que o produto brasileiro atende todas as normas sanitárias e, por isso, é confiável. Até quinta-feira, os veterinários russos haviam liberado seu mercado apenas para o consumo da carne produzida em Santa Catarina. Os representantes da Abiec participaram do esforço conjunto brasileiro para dirimir dúvidas da missão russa. Essa movimentação toda acontece na véspera da visita oficial do presidente russo Vladimir Putin, que deve chegar ao Brasil nesta semana. Especialistas de ambos os países envolvidos na ampliação do comércio bilateral projetam que a relação comercial Brasil-Rússia tem potencial para atingir a cifra de US$ 5 bilhões em 2006.