Jaú - O tenente Eurico de Oliveira Júnior, comandante da Polícia Rodoviária de Jaú, disse ontem que a fiscalização em ônibus que transportam trabalhadores rurais é feita rotineiramente. Em geral, ele conta que não tem encontrado “grandes problemas”.
Os proprietários, segundo ele, têm obedecido as recomendações, mantendo os veículos em boas condições de funcionamento e com a documentação em ordem. Normalmente, as ferramentas de trabalho são transportadas no bagageiro e não junto com os trabalhadores, o que é proibido.
As falhas mais comuns, quando ocorrem, segundo o tenente, são a falta de licenciamento ou de equipamentos obrigatórios, como o tacógrafo. Neste caso, os veículos ficam apreendidos até a regularização do problema. Ele lembrou que o acidente de ontem foi o primeiro com vítima registrado este ano nas rodovias que cruzam as cidades mais próximas de Jaú.
Há sete anos
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaú, Hermínio Stefanin, também disse não se lembrar de nenhum acidente recente envolvendo trabalhadores rurais. O último, segundo ele, teria ocorrido há cerca de sete anos, quando um ônibus de cortadores de cana bateu de frente com um ônibus de estudantes, próximo a Itapuí. Na ocasião, duas pessoas morreram.
De acordo com Stefanin, a condição atual dos ônibus ainda não é a ideal, mas estaria bem melhor do que se tinha a disposição há alguns anos. “O ideal para os trabalhadores é ter ônibus mais novos”, disse.
Na avaliação do promotor José Fernando Maturana, do Ministério Público do Trabalho de Bauru, as condições de transporte realmente melhoraram, mas não o suficiente. “Houve uma melhora muito grande (nas condições do transporte dos trabalhadores), mas ainda existem veículos em péssima situação”, declarou.
Segundo ele, a responsabilidade pelo serviço é dos empregadores. “No ato da contratação do transporte, o empregador tem de saber se a empresa é idônea e se não vai expor os trabalhadores a risco.”
Tanto policiais quanto os trabalhadores não souberam informar com precisão o nome da fazenda de Brotas onde seria feita a colheita da laranja. Maturana informou que o caso será investigado pelo MPT.