José Francisco de Souza, 41 anos e única fonte de renda de uma família de quatro pessoas, é um dos integrantes da positiva estatística do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que aponta cerca de 300 obras em andamento na região de Bauru e aproximadamente 1.500 vagas de trabalho criadas neste segundo semestre. Depois de ficar desempregado por um ano e meio, Souza está trabalhando como armador nas obras de um edifício residencial localizado na Vila Guedes de Azevedo.
De acordo com o diretor do sindicato Aloísio Costa, das 300 obras que estão sendo executadas, cerca de 10% são de grande porte, dando emprego com carteira assinada para mais de 20 trabalhadores cada uma. Uma delas é a que Souza trabalha. “Eu fiquei um ano e meio sem emprego fixo, fazendo só uns ‘bicos’. Agora, espero que depois que esse serviço acabar eu já ache outro”, projeta o trabalhador, que no momento ganha salário de R$ 580,00.
A boa notícia vem de um dos engenheiros encarregados pela obra, Moacir Grandini Carlos, que diz que, se tudo der certo, Souza poderá trabalhar em outra obra da mesma construtora.
“Estamos com cinco obras em andamento no momento. Os serviços na área que ele (Souza) trabalha aqui estão previstos para terminar em fevereiro de 2005, mas temos obras programadas até o ano 2006. Então, alguns trabalhadores que estão aqui poderão ser deslocados para outros serviços”, indica o engenheiro.
Nesta obra com área total de construção de 13 mil metros quadrados - um prédio de alto padrão com quatro apartamentos por andar -, também executando a função de armador está José Barbosa Neto, 60 anos, que ficou cerca de 12 meses sem emprego. “Comecei a trabalhar aqui faz uns três meses. É muito bom estar trabalhando”, comemora o experiente trabalhador, que mora numa casa com a esposa e mais três filhos.
Em outra região da cidade, na avenida Castelo Branco, as obras de um supermercado geram no momento 20 empregos diretos e dez indiretos. “São 5 mil metros quadrados de obra, porque o prédio terá dois andares. Os trabalhos começaram em setembro e vão até o final do ano que vem”, aponta o engenheiro responsável, José Rubens dos Santos.
Concentrado em seu serviço ontem à tarde, o encarregado de obras José Genecir Rodrigues, 43 anos, nem percebe a aproximação da equipe de reportagem do JC. Animado com o bom momento do setor da construção civil, ele conta que há cerca de três anos não fica sem emprego.
“Antes de começar aqui, eu estava trabalhando em outra obra. Graças a Deus, quando eu termino um trabalho já tem outro em vista. Mas há uns três anos atrás, eu cheguei a ficar sete meses sem achar nada. Ficava fazendo uns trabalhos pequenos só para poder sobreviver. Para mim a situação está boa agora, mas infelizmente tem muita gente desempregada por aí”, comenta Rodrigues.
O carpinteiro Germani de Jesus Caldas, 40 anos, também “emendou” um trabalho em outro. Vindo do Paraná há nove anos, casou-se em Bauru e no momento sustenta uma família de três pessoas (esposa e um filho) com um salário de R$ 640,00. “Aqui, tenho bastante trabalho pela frente”, comemora.
Em setembro, o diretor do sindicato, Aloísio Costa, havia feito uma estimativa um pouco mais positiva para o segundo semestre de 2004. Mas mesmo assim, ele avalia as atuais estatísticas como “muito boas”, principalmente quando se compara com o ano passado, que foi ruim para a construção civil. Contudo, admite que esperava um cenário ainda melhor.
“O que aconteceu é que algumas obras do governo na região começaram e foram interrompidas. Mas certamente, elas serão retomadas em 2005. No momento, na região abrangida pelo sindicato temos cerca de 3 mil pessoas trabalhando com carteira assinada. Se somar os informais, esse montante pode chegar até a 5 mil”, afirma Costa.
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SindusCon
O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP), Ralph Ribeiro Júnior, faz uma avaliação bem menos animadora que a do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil. Segundo ele, em agosto (última atualização do levantamento anual) foram fechados 262 postos de trabalho na região abrangida pela entidade.
“Além disso, os resultados obtidos neste ano até agora não foram suficientes para recuperar as perdas do setor em 2003, que foi um ano muito ruim para a construção civil. Neste ano, teremos um crescimento de no máximo 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional da construção. Em contrapartida, no ano passado houve queda de 9% no PIB nacional (do setor). Nossa região não está acompanhando o crescimento nacional este ano”, observa Ribeiro.
Aloísio Costa, diretor do sindicato dos trabalhadores, diz que as estatísticas do SindusCon sempre são diferentes pelo fato da entidade patronal ter os registros apenas das empresas associadas.
Levantamento nacional do SindusCon divulgado nesta semana mostra que, em setembro, foram contratados cerca de 11,3 mil trabalhadores. No acumulado de janeiro a setembro, foram criados 112 mil postos de trabalho no País - 9,69% a mais em relação a dezembro de 2003.