09 de julho de 2026
Auto Mercado

'Borra' no motor vira 'praga'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Há cerca de um ano, o regulador de sinistros bauruense Paulo Roberto Fernandes “internava” seu ex-automóvel em uma oficina da cidade. Após os “exames” iniciais, o diagnóstico do “paciente” não podia ser pior: motor fundido em virtude de um problema cada vez mais comum nos automóveis: a formação da “borra”, uma espécie de “goma” escurecida que se origina em função de uma tríade mortal para os propulsores: relaxo na manutenção e utilização de combustíveis e lubrificantes de má qualidade.

No caso de Paulo, que havia acabado de comprar o carro há cerca de um mês, o prejuízo foi “salgado”: R$ 2.380,00. “Dei azar do antigo proprietário não ter cuidado do veículo como deveria e só fui perceber quando o carro começou a esquentar demais e, na seqüência, o propulsor fundiu”, conta.

Situações como a de Paulo não são raras. Prova disso são os relatos dos chefes de oficinas de concessionárias bauruenses. Em uma da marca Fiat, o responsável pelo setor, Marcelo Pereira, revela que, atualmente, 10% dos veículos que ingressam no local apresentam o problema. “Mas esse índice já foi muito maior, pois até o meio do ano a média era de cinco a seis por dia. Já refizemos motores inteiros aqui por causa da borra”, enfatiza.

A redução da incidência deveu-se, acrescenta Pereira, à execução de um programa mais apurado de manutenção preventiva junto aos clientes. “Alertamos os consumidores da necessidade da troca antecipada do óleo e dos filtros e de observar a procedência do combustível onde se abastece”, frisa. Iguais procedimentos foram adotados por outras revendas, como assegura Jair Tavares, gerente de pós-vendas de uma concessionária Volkswagen. “Os resultados do processo de manutenção preventiva já estão sendo sentidos. Isso porque, há cerca de três meses, atendíamos dois a três casos de borra semanalmente. Hoje, pegamos um a cada 15 dias”, ressalta. Para ele, o veículo é um patrimônio que o dono deve zelar com carinho. “E a forma de se conseguir isso é seguir regularmente o plano de manutenção. Assim, a longevi-dade e a vida útil do automóvel acaba sendo maior”, destaca o gerente.

Agnelo Novo, chefe de oficina de uma concessionária Chevrolet, também confirma que a incidência da “borra” nos motores já foi maior do que os índices atuais. Entretanto, ele sustenta que o problema não escolhe modelos específicos. “Pode ser carro novo ou velho. Prova disso é que já consertamos um veículo com apenas 3 mil quilômetros estragado”, salienta. Ele lembra, ainda, que a formação da “borra” não é mais coberto pelas montadoras. “Isso porque ela não é um defeito do produto, e sim um dano causado por agentes externos, como a gasolina ruim, e a má manutenção”, frisa.

Já Nilson Simão, um dos proprietários de uma revenda Ford, comenta que basear-se somente no preço para executar a manutenção do veículo é procedimento enganoso. “Quem vai atrás só disso acaba caindo na armadilha. O barato sai caro”, adverte.