A proliferação de pet shops em Bauru causa um reboliço no setor ao mesmo tempo em que acirra a concorrência, desagradando empresários que atuam há mais tempo.
O coordenador do núcleo setorial de pet shop do Programa Empreender (Unipet), empresário Sebastião March Sanches, revela que de três a quatro novas lojas abrem todos os meses na cidade, fenômeno que lhe preocupa.
A consultora do Programa Empreender, Bárbara Bernardi, estima que em Bauru existam 200 pet legalizados. Somados com aqueles que atuam na informalidade, o número pode chegar a 350 lojas.
Há 25 anos no mercado de pet shop, Sanches está preocupado com o atual cenário pela maneira como muitas empresas surgem. Ele conta que, normalmente, a pessoa investe R$ 5 mil na compra de produtos básicos e acredita que basta para ter sucesso, porém, desconhece as especificidades do segmento. Como exemplo, Sanches cita o fato de não se observar que para cães obesos o recomendável é o produto da linha light. Ou no caso de animais com idade avançada, o recomendável é uma alimentação reforçada.
“Pensam que é simples por trabalhar com alimentos para cães, gatos, pássaros e peixes. A pessoa acha fácil montar, dar um banho no animal”, critica.
Nesse mercado disputadíssimo, em que muitas lojas estão muito próximas umas das outras em busca da preferência dos clientes, o desafio é ampliar a base de consumidores.
Ele comenta que a ração ainda não é o alimento preferido por muitos proprietários de animais, que optam pela comida caseira.
Quebradeira
Um dos obstáculos para micro e pequenas empresas do segmento de pet shop é o fenômeno da quebra antes mesmo do primeiro ano de vida. O remédio escolhido é o sistema de associativismo, que propicia vantagens para os empresários.
O núcleo setorial Unipet, fomentado pela Facesp, via Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), reúne 21 micro e pequenos empresários, todos em situação de formalidade. A consultora do Programa Empreender, Bárbara Bernardi, explica que no grupo não há nenhuma grande empresa. A maioria das lojas de pet shop se caracteriza por operar sem funcionários, contando com a mão-de-obra familiar, e com a sede da empresa instalada na própria residência do empreendedor.
O Unipet surgiu em março de 2004 e, de forma diferente, o interesse partiu dos empresários. O grupo se reúne semanalmente na Acib para discutir as mais diversas dificuldades que as empresas enfrentam. Desde assuntos do dia-a-dia até uma linha de financiamento ou a compra de produtos em conjunto.
Por enquanto, o setor comemora a queda da obrigatoriedade da presença de profissional veterinário para o funcionamento do pet shop. No grupo da Unipet, apenas um membro é veterinário, profissional que não se encontra na maioria das lojas dos estabelecimentos.