11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Artigo: Os grandes desafios das pequenas e médias empresas


| Tempo de leitura: 3 min

O excelente trabalho feito por David Grayson e Adrian Hodges em Everybody’s Business - Managing risks and oportunities in today’s global Society (Gerenciando riscos e oportunidades na atual sociedade global) mostra que maioria das pequenas e médias empresas no mundo operam com margens apertadas, portanto a eficiência e a eficácia nas decisões significam a diferença entre a sobrevivência e a morte.

As três barreiras que estas empresas no mundo globalizado têm que superar são: economia de dinheiro com corte de custos; aumento de produtividade; aumento das vendas.

No nosso País, além desses desafios, temos que acrescentar fatores que fogem ao controle do empresariado que são excesso de burocracia, brutal carga tributária, necessidade de pagar impostos antes mesmo do recebimento das vendas, escassez de linhas de crédito para capital de giro, dificuldade para acesso a credito para modernização do parque industrial, mão-de-obra não qualificada e uma astronômica taxa de juros.

Dizer que o resultado de tudo isso leva o empresariado a descontar as duplicatas a taxas exorbitantes, as quais consomem toda a sua margem de lucro, é pouco. O pequeno e médio empresário se vê numa situação muito mais complicada.

Muitos mantêm seus negócios funcionando por ser a única opção que têm para sobrevivência, para sustento, precário, da família.

Por não disporem de linhas de crédito tomam empréstimos em mercados alternativos, a um custo substancialmente mais alto que o oferecido normalmente pelos bancos, ainda, por não terem condições de honrar em dia compromissos com fornecedores tradicionais se vêem obrigados a comprar de pequenos revendedores em lotes também pequenos, atendendo necessidades imediatas, encarecendo ainda mais seus custos, consumindo brutalmente margens praticamente inexistentes.

Alguém pode duvidar que parte de nossa inflação se dá justamente por esse massacre que sofrem as pequenas e médias empresas?

Quer medir realmente a inflação? Compare as planilhas de custos das pequenas e médias empresas quando o mercado mostra um pequeno sinal de aquecimento e verá claramente os problemas.

A luta pela sobrevivência e a concentração de esforços na busca de resultados leva ao abandono de controles básicos de caixa, com negligência inclusive dos níveis de endividamento.

É comum encontrarmos empresas onde não se sabe exatamente os níveis de endividamento, quanto se está utilizando do limite do cheque especial, quanto se paga mensalmente de taxas bancárias e de juros nos mercados alternativos.

É como o caçador que é impelido pela fome a sair sozinho da proteção de sua caverna em busca de caça apesar de saber os enormes riscos que corre.

Seu foco é a presa, nada mais importa, contudo um ataque mais forte poderá liquidá-lo pois não terá forças para reação.

As pequenas e médias empresas, fontes geradoras de emprego, estão sendo destroçadas, estão altamente endividadas devido a uma política econômica horrível, a uma tributação excessiva e falta de organização política em torno de suas associações de classe.

No Brasil os grandes desafios das pequenas e médias empresas se transformaram em apenas um: sobreviver mais 30 dias.

Que seja, mas que seja com um brado: Basta!

O autor, Ivan Postigo, é economista, contador, pós-graduado em controladoria pela USP