08 de julho de 2026
Ser

Remédio só não basta!

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

“O mito do Viagra é que uma pílula pode resolver todos os nossos problemas sexuais. Mas a vida é mais complicada do que isso”, afirma o urologista norte-americano Abraham Morgentaler, professor da Escola de Medicina de Harvard.

Ele esteve no Brasil para lançar seu livro “O Mito Viagra - O surpreendente impacto no amor e nos relacionamentos” e participou do debate “Viagra: Amigo ou inimigo da Mulher?”, realizado pelo laboratório farmacêutico Pfiser na semana passada.

Morgentaler conta que, certa vez, recebeu em seu consultório um paciente de 30 anos, musculoso e fisicamente saudável, mas que não conseguia manter ereções com sua namorada. Depois de examiná-lo e verificar que não havia nada de errado, o médico indicou um remédio para ereção, só que o medicamento não funcionou.

Com o tempo, depois de muitas conversas, o médico descobriu que o problema estava no comportamento da namorada. No intuito de impressionar o parceiro, ela contava para ele “loucuras” que fizera na cama com outros homens. Só que, ao invés de excitá-lo, as histórias o deixavam encabulado e intimidado.

Diante dessa confissão, a “receita” foi uma boa conversa. Um pedido de desculpas, um acerto de contas e tudo voltou ao normal - sem remédios. “O Viagra pode ser eficaz para ‘dar partida no tranco’ em homens com disfunção erétil psicogênica (de origem psicológica), mas ele não resolve as questões subjacentes. A melhor solução, com freqüência, é limpar o caminho, discutindo o que não está legal para cada pessoa”, sugere Morgentaler.

O urologista Sidney Glina concorda, citando outra história. Ele foi procurado por um paciente diabético que não tinha ereções havia sete anos. Ele foi ao consultório e colocou uma prótese peniana. Quando voltou ao consultório e foi questionado sobre suas relações sexuais, disse que não as estava tendo, pois a esposa alegava que o pênis havia ficado muito pequeno. Segundo o médico,

porém, a prótese estava tecnicamente bem colocada.

“Chamei a esposa no consultório, era uma mulher de 60 anos. Quando começamos a conversar, ela disse ‘doutor, fazia sete anos que esse homem tinha me deixado em paz. Agora ele pôs isso e eu falei que está pequeno. Se o senhor aumentar, vou dizer que ficou grande demais’. Então, essa falta de relacionamento, muitas vezes, ocorre por simples falta de vontade”, acrescenta.

Para a atriz Christiane Torloni, a recusa dos homens em “discutir a relação” ocorre porque essa situação os assusta. “Muitas dessas discussões podem ser muito melhor resolvidas na cama que numa poltrona conversando (...) Eu percebo que os homens não gostam que a mulher pergunte, porque eles se sentem cobrados. Mas eles gostam de falar”, opina.

“É muito bom para a relação quando ambos depõem suas armas. E ali, nus, num lugar quentinho, confortável, é o melhor lugar para o homem falar, chorar, se comover. Ele pode começar falando de sexo, mas acaba se abrindo (...) E acho que falar de sexo na cama é muito bom, porque, normalmente, geramais sexo”, acrescenta.

“Acho que se a mulher aceitar o lado mais truculento - sem agressão - do homem e o homem aceitar o lado mais delicado da mulher, a balança vai se equilibrar. Eles são diferentes sim e temos que aprender a entender a ‘língua’ uns dos outros’, completa o cartunista Miguel Paiva.