09 de julho de 2026
Geral

Homeopatia completa 164 anos no País

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A medicina homeopática ultrapassou a barreira de classificação como alternativa, ganhou adeptos e profissionais especializados e completa hoje, Dia Nacional da Homeopatia, 164 anos desde que foi introduzida no Brasil. Desde 1980, a prática é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CRM) e pelo menos 20 Estados já contam com profissionais especializados na área no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na opinião do médico homeopata Ajax Rabelo Machado, a eficácia dos tratamentos com fórmulas homeopáticas é o principal motivo para o aumento na procura pelos profissionais da área. Ele participou do 27.º Congresso Brasileiro de Homeopatia, no início do mês, e comenta que foi grande o número de trabalhos fundamentados apresentados no evento que abordavam tratamentos bem sucedidos.

“O preconceito que havia para com a homeopatia foi quebrado. Todos os indicativos e estatísticas mostram que a procura vem crescendo no Brasil e no mundo todo. Faz parte da política do Ministério da Saúde a implantação da homeopatia no SUS e isso já é realidade em diversas capitais e cidades de maior porte”, afirma Machado.

O médico homeopata Celso Felício de Carvalho observa que, além de resultados comprovados nos tratamentos, a especialidade ainda tem a vantagem de oferecer medicamentos a preços muito menores do que os remédios alopáticos. “O tratamento tem custo muito baixo e por isso ela é uma especialidade que conquista cada vez mais adeptos. Temos inclusive médicos que não são homeopatas mas que preferem se tratar com a homeopatia”, diz.

Carvalho participou do 54.º Congresso da Liga Médica Homeopática Mundial, realizado em Buenos Aires, em outubro, e apresentou um trabalho com os resultados de cura de endometriose (infecção ginecológica feminina) sem necessidade de intervenção cirúrgica ou prescrição de hormônios para a paciente. “A homeopatia tem uma atuação curativa e também preventiva nos pacientes. É possível, por exemplo, tratar uma criança com amigdalite e diminuir a freqüência da doença, até ela deixar de se manifestar”, revela o homeopata.

História

A medicina homeopática tem como fundamento a chamada Lei dos Semelhantes, que estabelece que uma substância capaz de provocar determinados sintomas em pessoas sadias consegue curar esses mesmos sintomas em um doente. Essa lei foi enunciada pelo pai da medicina, o grego Hipócrates, no século 4 a.C.

Porém, foi o médico alemão Samuel Hahnemann que, no século 18, sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da homeopatia e realizou experimentos baseando-se na Lei dos Semelhantes com várias substâncias. As experiências de Hahnemann serviram como fundamento para a homeopatia.

No Brasil, a especialidade foi introduzida por um discípulo francês de Hahnemann, Benoit-Jules Mure, que chegou ao País em 21 de novembro de 1940. Após uma passagem por Santa Catarina, Mure iniciou o ensino, a prática e a propagação da homeopatia no Rio de Janeiro. Seu primeiro discípulo no Brasil foi o médico português João Vicente Martins, que se tornou divulgador da homeopatia no Norte e Nordeste do Brasil.

No final do século 19, a especialidade se propagou e foi adotada por diversos institutos, inclusive com apoio do governo. No entanto, a homeopatia acabou perdendo espaço para as novas terapêuticas químicas na medicina com o aparecimento dos antibióticos. Na década de 1960, a homeopatia ressurgiu em alguns grupos como parte de um movimento de prestígio e individualização do paciente.

Existem atualmente no mercado mais de dois mil medicamentos homeopáticos, produzidos a partir de substâncias puras derivadas dos reinos animal, vegetal e mineral. Em geral, os medicamentos homeopáticos são comercializados na forma de glóbulos, tabletes, líquidos e pós.

Saúde pública

De acordo com o site do Ministério da Saúde, em 2003 foi instituído um grupo de trabalho para estabelecer a incorporação adequada da homeopatia ao SUS, assim como da fitoterapia e da acupuntura. Atualmente, a especilidade já se torna uma arma eficaz na atenção a diversas doenças, como tratamento complementar ou exclusivo, e está presente em pelo menos 20 Estados. São 457 homeopatas cadastrados no SUS, que atuam em 108 municípios, que realizam cerca de 300 mil consultas por ano.

Segundo o Ministério da Saúde, há pelo menos dez universidades públicas que desenvolvem a homeopatia em atividades de ensino, pesquisa ou na assistência. O órgão também que lançar ainda em 2004 a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares, com o objetivo de estimular o trabalho com a homeopatia no SUS.