08 de julho de 2026
Bairros

Plano Diretor pode ser alternativa

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Thaís da Silveira O novo Plano Diretor da cidade, que está em fase de elaboração, poderá ter alternativas

para que Bauru ganhe identidade visual. A informação

é da arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordena a

comissão elaboradora do documento.

Ela acredita que a proposta que está sendo estudada

para solucionar o problema dos fundos de vale da cidade,

por exemplo, deve contribuir para isso. O projeto prevê

que sejam feitos parques nestes locais com equipamentos

de lazer e esportes.

Além disso, uma área deve ser reservada para a construção

de barragens de contenção de águas pluviais,

que fariam parte do sistema de macrodrenagem.

“A proposta dos fundos de vale muda significativamente

a paisagem urbana da cidade. Hoje, eles são degradados.

O projeto inclui sistema viário que dá acesso a

eles, criação de parques e equipamentos de lazer e esportes, além de contenção de águas pluviais”, expõe.

Ocupando as margens dos córregos, estes espaços de lazer evitariam a degradação observada atualmente nos fundos de vale. Além disso, auxiliariam no combate às enchentes.

Os primeiros parques devem ser instalados nas regiões

dos córregos Água do Sobrado, Água do Castelo, Água Comprida, Barreirinho e Vargem Limpa. Mas

ainda estão sendo analisadas outras áreas que podem ser

transformadas em parques.

As barragens de contenção de águas pluviais também

serão aproveitadas para criação de avenidas que farão

interligação entre bairros. Entre elas, estão os sistemas

viários Água Comprida (na região leste) e Água do

Sobrado (na região da avenida Castelo Branco).

A Prefeitura de Bauru não dispõe de todas as áreas necessárias para criação desses espaços. Para conquistar as demais glebas, serão utilizados instrumentos do Estatuto da Cidade. Eles representam alternativas para desapropriação e criam outros mecanismos de negociação.

Maria Helena afirma que Bauru é uma cidade carente

de áreas de lazer e que a população pede espaços em

que possam caminhar, jogar bola e passear.

“Precisamos de espaços livres, bem cuidados e iluminados.

Essa foi a grande demanda que eu percebi na população

e acho que a proposta dos fundos de vale sanaria

as deficiências inicialmente. A idéia atende sim à questão

da drenagem, do sistema viário e de lazer. Isso tudo muda

a cara da cidade e ajuda a criar a identidade de Bauru”,

frisa a arquiteta.

A revitalização da área central também deve contribuir

para a melhora da identidade visual da cidade, segundo

Maria Helena. “Estamos redescobrindo a arquitetura

original dos prédios da área central de Bauru. Além disso,

tem a questão dos camelôs, a padronização das calçadas,

a arborização e a habitação”, argumenta.

A arquiteta sugere, ainda, ações de arborização da cidade

e padronização de calçadas para melhorar a paisagem

urbana.

“Concordo que falta identidade à cidade de Bauru. A

paisagem das cidades médias (do Interior paulista),

em geral, têm a mesma cara. As cidades não têm uma peculiaridade”, acrescenta.

Planejamento

Para melhorar o planejamento da cidade e, conseqüentemente, sua identidade visual,

Maria Helena acredita que são necessárias mudanças

na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

“Estamos atendendo a uma demanda imediata e não

temos alguém para pensar exclusivamente o futuro da cidade. É necessário se afastar do dia-a-dia para alcançar esse objetivo, e isso nunca aconteceu

na Prefeitura de Bauru”, diz a ex-titular da pasta.

A arquiteta explica que a Seplan atualmente tem muitas

preocupações operacionais e faltam profissionais para efetivamente planejar a cidade.

Por exemplo, a secretaria é responsável pelos projetos

de novas escolas, avenidas e reformas de pronto-socorros;

pela fiscalização de calçadas e terrenos baldios, entre outras coisas; pela aprovação de projetos e emissão de alvarás para estabelecimentos que funcionam na cidade.

“Precisaria pensar a cidade a médio e longo prazos e a

gente pensa a curto prazo. Precisamos saber, por exemplo,

qual vai ser a demanda da escola a médio e longo prazos

para reservar os terrenos e para que não se dê outra utilidade para aquele terreno”, exemplifica.

Além de mais funcionários, a Seplan precisa de

mais infra-estrutura para trabalhar, segundo Maria Helena.

Ela acredita que a situação deve melhorar com a implantação do sistema de geoprocessamento,

prevista para os próximos meses. “É necessário

que realmente haja um grupo com recursos suficientes

para conhecer a realidade da cidade, com geoprocessamento

implantado para planejar em cima disso”, afirma.

Plano Diretor

O Plano Diretor é um instrumento normatizador

do desenvolvimento da cidade. O objetivo é definir

diretrizes para o crescimento planejado.

A comissão elaboradora do novo Plano Diretor começou

a trabalhar em dezembro de 2003. Durante o primeiro semestre de 2004, foram formadas comissões

para discutir cada aspecto relacionado ao desenvolvimento

da cidade, sistema de macrodrenagem, sistema

viário e instrumentos do Estatuto da Cidade.

Além de seus próprios estudos, os técnicos utilizam

dados coletados pelo Projeto Bauru + 10, Conferência

das Cidades, Conferência do Meio Ambiente e

Conferência da Assistência Social, entre outras.

Quando o projeto estiver concluído, será submetido à

Câmara Municipal de Bauru para aprovação. O Plano Diretor

em vigor atualmente é de 1996, data do centenário

de Bauru. O anterior e primeiro que vigorou no município

foi elaborado em 1967.

O documento deve ditar caminhos a serem seguidos

pelos próximos prefeitos nas obras executadas. Acreditase

que o cumprimento das diretrizes dependerá também

da cobrança da população.

A previsão inicial da Comissão Elaboradora do novo

Plano Diretor era de que o documento seria concluído

ainda em 2004. Entretanto, os trabalhos continuam

e o término dependerá do prefeito eleito Tuga Angerami,

que assume no dia 1 de janeiro de 2005.