Prédios na região central da cidade e em bairros nobres, praças e arruamentos com determinadas características, shopping às margens da rodovia e nomes como Praça da República ou avenida Duque de Caxias são aspectos que se repetem em várias cidades de médio porte do Interior paulista, entre elas Bauru.
Esses elementos, entre outros, revelam paisagens urbanas homogêneas e sem identidade visual. A afirmação é da arquiteta Paula da Cruz Landim, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e autora do livro “Desenho de paisagem urbana - As cidades do Interior paulista”.
“Elementos importados são inseridos sem pensar se
realmente era aquilo que a cidade precisava naquele
momento. Ninguém nunca questiona isso. O discurso
é que ‘agora temos um shopping, como na Capital’,
ou que ‘agora temos tal coisa que não deixa nada
a desejar em relação à Capital’”, expõe.
Muitas vezes, segundo a professora, a homogeneização
das cidades é fruto de fatores como especulação imobiliária. Entretanto, ela enfatiza a necessidade que as pessoas têm de copiar obras ou estruturas de outros locais. “É uma coisa complicada porque a sociedade é extremamente bombardeada pela própria mídia, que acaba passando esses valores. Você acaba adquirindo o discurso”, explica.
Paula cita como exemplo o Calçadão da Batista de Carvalho, que foi “copiado” de Curitiba (PR) e que não estabelece uma relação de identificação com a população, haja vista que ele torna-se vazio
e até perigoso quando o comércio está fechado.
“As pessoas são expulsas do Centro. Quando não tem
essas atividades, ele fica às moscas. Fica um deserto”, salienta a arquiteta. “Falta identidade”, frisa.
Na opinião da arquiteta, contudo, há possibilidade
de reversão e já está havendo em Bauru uma crescente
preocupação com a paisagem urbana. “Essa questão
começa a ser discutida de maneira mais significativa
agora. É absolutamente recente. Isso não pertencia à
lista de preocupações da cidade”, expõe.
A revitalização da área central da cidade é vista como
uma das possíveis saídas para mudar o atual cenário.
Além disso, medidas simples como padronização da arborização pública e das calçadas também são apontadas como alternativas.
Para a arquiteta Artemis Rodrigues Fontana Ferraz,
a população também pode colaborar para melhorar o
cenário urbano. “Até hoje não existe identidade visual
em Bauru. As pessoas pensam as obras delas apenas
como coisas privadas. Elas não enxergam que isso vai
fazer parte da paisagem urbana”, diz.
Para a arquiteta Maria Helena Rigitano, coordenadora
da Comissão Elaboradora do novo Plano Diretor,
a proposta de criação de parques de fundos de vale em
Bauru deve contribuir para que a cidade ganhe uma “cara” peculiar.
Ela também acredita que é importante a participação
da população. “A população não tem muito a prática desse exercício. Temos que fomentar diariamente e escutar as propostas que surgem. Tem muita proposta boa, mas muitas que fogem ao objetivo porque as pessoas às vezes pensam no individual e não no coletivo”, revela.
Maria Helena sugere, ainda, a padronização das calçadas
por vias ou por bairros e a arborização pública adequada. “A nossa arborização é muito inadequada.
E a população pode participar dessas coisas fazendo
calçadas sem degraus etc”, destaca.