Muito mais do que os reflexos dos números positivos da macroeconomia, o aquecimento da atividade econômica em Bauru neste ano é o principal fator apontado pelo analista econômico Reinaldo Cafeo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade sobre o valor do ano passado. A estimativa para o fechamento do ano é de R$ 3,018 bilhões, contra R$ 2,888 bilhões em 2003. O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas pelos diferentes setores de atividade econômica.
Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e no desempenho do PIB nacional nos últimos três anos, o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) projeta mais um número positivo para o PIB de Bauru em 2005: R$ 3,124 bilhões. “Isso ocorrerá se a economia nacional crescer em torno de 3,5% no ano que vem”, aponta Cafeo.
No Brasil, o crescimento do Produto Interno Bruto foi modesto nos últimos três anos. Para 2004, os cálculos estimados são de um fechamento em torno de R$ 1,514 trilhão, valor que corresponde a um crescimento de 4,5% sobre o ano passado.
“O mercado interno (em Bauru) cresceu bastante este ano. Todos os setores, inclusive o terciário, tiveram bons desempenhos e acompanharam a evolução do cenário econômico no País. A cidade tem registrado bons níveis de emprego e várias categorias conseguiram reajuste salarial, algumas inclusive acima da inflação (em torno de 7% pelo IPC-A)”, analisa Cafeo.
O diretor da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) de Bauru, Alexandre Ciro Perin Bertoni, confirma a melhora dos níveis de emprego neste ano, mas destaca que ainda é pouco diante do necessário.
“Infelizmente, o emprego informal ainda é grande em Bauru. Precisamos de parcerias com os governos estadual e federal para implantar programas que possibilitem a geração de emprego e renda para os mais carentes. Espero que o próximo governo municipal seja voltado para o lado social”, destaca.
Empregos
Segundo dados do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), atualmente o comércio de Bauru emprega aproximadamente 13 mil pessoas. No setor industrial, cerca de 1,3 mil novas vagas foram abertas neste ano na área da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) - composta por 17 municípios.
“O cenário também aponta para um final de ano muito bom em Bauru. O consumidor está animado com as mais recentes quedas do custo do crédito. Além disso, a melhora no nível de emprego e a leve recuperação da renda estão elevando as expectativas dos comerciantes para o Natal”, acrescenta Cafeo.
Segundo ele, Bauru tem uma vantagem em relação a outras cidades pelo fato de ser forte nos três setores: comércio, indústria e prestação de serviços. “Se a cidade dependesse muito das exportações, que é o que tem gerado os maiores saltos na balança comercial do Brasil, não teria se beneficiado tanto e registrado o crescimento que se espera do PIB neste ano.”
Dados da Fundação Seade mostram que Bauru tem 337.667 habitantes. A média da renda per capita anual gira em torno de R$ 8,94 mil, e a mensal, R$ 745,00, segundo o economista. No ano passado, a Seade mostrava população de 330 mil habitantes, renda per capita anual de R$ 8,75 mil e mensal de R$ 730,00.
A projeção para 2005, se a população de Bauru continuar crescendo na velocidade atual, é de que a cidade tenha aproximadamente 342 mil habitantes, a média da renda per capita anual de R$ 9,14 mil e mensal em torno de R$ 762,00.
____________________
Indústria
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, ressalta a participação do setor industrial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Bauru neste ano. Segundo ele, o segmento é responsável por quase 70% da estrutura fiscal do município atualmente.
“A indústria é o carro-chefe de todo esse processo. Neste ano, o crescimento local no recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) será de 7% sobre o ano passado. Em termos de geração de emprego, também crescemos 7%”, afirma.
“Somando a maior oferta de empregos à reposição salarial que várias categorias conseguiram neste ano e à queda da inflação, é evidente que há uma recuperação de renda na cidade, ainda que de forma lenta. Mas para o próximo ano, os empresários estão avaliando com muita cautela as possibilidades de crescimento se o governo federal continuar com essa política monetária de limitação de crédito e resistência para reduzir os juros”, complementa Coube.
O coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Duílio Duka de Souza, diz que, apesar de várias categorias terem conseguido reposição salarial acima da inflação (de 7%, pelo IPC-A), isso não significou recuperação de renda frente às perdas dos últimos anos.
“Em algumas situações, o reajuste foi sobre a gratificação, que não é incorporada ao salário, como no caso dos trabalhadores da Saúde (23,9% de reajuste sobre a gratificação). É claro que houve avanços, mas muita coisa é reflexo da política econômica nacional”, observa.
Os bancários conseguiram reajuste de 19%; na Educação, de 11% a 13% para aposentados e 5% para os da ativa; servidores do Judiciário tiveram cerca de 14%; professores e funcionários das universidades públicas estaduais tiveram 9,41% de reajuste, divididos em três parcelas.