08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Uma lição de vida


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Nesta terça-feira faleceu o velho militante político Elias Calixto Bitar, ferroviário da antiga Companhia Paulista de Estrada de Ferro, demitido em 20/10/1949, sob a acusação de ter sido um dos cabeças da greve dos ferroviários na cidade de Bauru em janeiro daquele mesmo ano. Além da demissão, foi ainda condenado a um ano de reclusão, fato este que o levou a se evadir de nossa cidade, indo residir na Capital do Estado, sendo o responsável pelo “aparelho” onde se reunia o Comitê Ferroviário do então proscrito Partido Comunista Brasileiro. No período em que esteve clandestinamente em São Paulo, viu nascer sua filha Zélia e convivia diretamente com as lideranças comunistas mais visadas pela repressão, onde se destacavam Luis Carlos Prestes e Carlos Marighela. Tendo sido prescrita sua pena, retornou à nossa cidade e conseguiu trabalhar por longos anos como representante comercial de laboratórios farmacêuticos. Demonstrava ser um companheiro altamente solidário para com os companheiros em dificuldades, e não era raro realizar compras para ajudar na subsistência das famílias destes.

Durante muito tempo lutou com o intuito de ver resgatados os seus direitos, amparado pela legislação da anistia política, visto que havia trabalhado por 14 anos na ferrovia e dela havia sido demitido sem nenhum direito. Não buscava, como nenhum militante político punido pelos decantados “crimes de opinião” indenização milionária, como falsamente tem sido divulgado pela grande imprensa. Buscava tão-somente seus direitos e a conseqüente aposentadoria como ferroviário. Entretanto, como a justiça tarda para se fazer presente, claro está que o cidadão punido tem direito aos atrasados do cargo a que faz jus, obedecendo-se os prazos prescricionais. No caso de Elias, como de muitos outros companheiros punidos por lutarem em defesa da classe trabalhadora e pela liberdade em nossa pátria, o tempo curto de sua vida, não permitiu que tivesse seus direitos reconhecidos. Está com certeza fazendo companhia para velhos companheiros: Antenor Dias, João Baptista Dias, Edison Bastos Gasparini, Antonio Pedroso, e tantos outros - que igualmente partiram sem ver seus direitos restabelecidos. Isso faz parte do jogo da vida e das causas nobres que abraçaram, entretanto, não significa que a luta pára, pois concede estímulos aos seus descendentes para continuarem de forma ainda mais ferrenha o trabalho em busca do reconhecimento da falha do Estado. Óbvio que as eternas “cassandras do inconformismo”, continuarão, sem ter o mínimo conhecimento das lutas “dessa gente” a criticar seus pleitos por Justiça. Porém, isto é normal em país democrático e foi pela democracia, pela liberdade, que estes camaradas perderam seu emprego e sua saúde nas câmaras de tortura dos regimes ditatoriais que existiram em nossa pátria. A luta continua camaradas e com muito mais vontade, tenham a certeza.

Antonio Pedroso Júnior