11 de julho de 2026
Esportes

Personagem: Aos 81 anos, Coutinho ainda 'bate uma bola'

David Cintra
| Tempo de leitura: 3 min

Ele não faz dieta especial nem cumpre qualquer tipo de programa de preparação física. Faz exames médicos periódicos, “mas não muitos, só uns de sangue que o doutor pede”. Bate uma bolinha aos domingos e não dispensa uma cervejinha. “Agora eu bebo um pouco menos, só uma por dia, às vezes nenhuma”. Não faz caminhadas diárias. “Comecei a fazer uns adbominais porque senti que a barriga estava querendo crescer”, diz o personagem.

Tudo isso não teria nada demais se não estivéssemos falando de um homem de 81 anos de idade, pai de quatro filhos, avô cinco vezes e bisavô mais três. É considerando-se um atleta que o aposentado Alcindo Coutinho parece ter encontrado o segredo de uma vida longa e com qualidade.

Coutinho joga aos domingos no Clube dos 30, uma espécie de associação que se reúne para jogar todos os finais de semana, sem compromisso. “Jogamos mais é contra nós mesmos, não participamos de campeonatos. É para passar o tempo mesmo”, conta.

A morte do jogador Serginho, do São Caetano, ocorrida recentemente, levantou muitas discussões sobre os efeitos das práticas esportivas na saúde. Coutinho não se mostra preocupado. “Nunca senti nada, por isso não me preocupo. Enquanto eu conseguir correr um pouco eu vou jogar”, afirma.

Nascido em São Paulo em 1923, Coutinho mudou-se para Bauru em 1985. “Vim porque minha senhora tinha problema de bronquite e se deu bem com o clima daqui”. Acha a cidade um pouco “monótona”, pois estava “acostumado com a agitação de São Paulo”.

A “senhora” é Albina, esposa de Coutinho, com quem se casou em 1945 e gerou os filhos Aparecida, Cleusa e Eduardo, além de terem adotado Marcelo. O segredo? “Não tem segredo. Eu sempre joguei futebol, nunca fumei e nem cometo extravagâncias, mas sem planejar nada”.

História

O amor pelo futebol não deu só uma boa saúde a Coutinho, construiu também sua história. Bom atacante, de chute forte e oportunista, conta que nos anos 30 e 40 jogou nas categorias de base do Corinthians e depois no time principal.

Coutinho revela que começou a jogar no Corinthians “com 16 ou 17 anos”, portanto, entre 1939 e 1940. “Depois, com uns vinte poucos anos saí de lá e fui jogar em outros times. Como profissional passei pelo Comercial, Juventus, América (carioca) e Canto do Rio. No Corinthians joguei com Larinha, Cláudio, Dino, Carlinhos, Lopes e Servílio. Era uma época de ouro”, lembra.

Em 1954, Coutinho conta que parou de jogar profissionalmente. Mas foi como integrante da Seleção Paulista de Veteranos que viveu um dos momentos que mais marcaram sua vida. “Fizemos uma excursão por Uruguai e Argentina. No nosso time jogava o Domingos da Guia e ganhamos deles por 2 a 1. Eu marquei um gol naquele jogo”, recorda mostrando um jornal uruguaio que registrou a partida.

Outro momento que não esquece foi ter participado da preliminar da inauguração do estádio do Morumbi, quando integrou a Seleção Paulista de Veteranos que bateu os masters do São Paulo por 3 a 0.

Sobre o futebol de hoje, Coutinho não vacila em responder. “Está muito ruim, abaixo da crítica, não chega aos pés do futebol daqueles tempos”, conta, mas sem deixar de fazer uma ressalva.

“Mas tinha muito pontapé também. Em 1943, num treino para jogar contra a Seleção Carioca, o Jango, meu ex-companheiro de time me fraturou o tornozelo, fiquei 60 dias de molho”, relata o futebolista octogenário.