Mesmo com 40% dos doadores assíduos, que voluntariamente doam sangue a cada três ou quatro meses, o Hemonúcleo de Bauru ainda passa por períodos de crise. Há um mês, algumas cirurgias tiveram que ser adiadas porque os estoques estavam baixos e na semana passada, por causa do feriado, o número de doações diárias caiu de uma média de 70 a 80 para 40.
Nesta semana, com o Dia do Doador, comemorado hoje, já recuperou a média de sangue coletada. Porém, com freqüência precisa fazer campanhas em universidades e empresas e até recorrer a órgãos como Exército, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar nos períodos de crise, conta Telma Freitas, diretora do hemonúcleo. “Contamos muito com a ajuda dos militares e dos integrantes do Tiro de Guerra nos momentos de maior dificuldade”, diz.
O perfil do doador assíduo é de adulto entre 30 e 40 anos, que começou a colaborar com o hemonúcleo por ocasião em que algum parente precisou de sangue. É o caso do eletricista Márcio Marques Brosque, 28 anos, doador há três anos. “Eu tinha um certo medo, mas depois que meu pai precisou de sangue e eu doei, vi que não tem perigo de contaminação, que não dói, e continuei”, relata.
O órgão também conta com a colaboração periódica de grupos de doadores formados dentro de órgãos públicos e empresas. O funcionário público Idelbrando Gonçalves, 52 anos, por exemplo, doa sangue periodicamente há dez anos. “A minha carteirinha já está cheia, comecei quando ia fazer um concurso e doei sangue para não pagar a taxa”, relata.
Além de conceder um dia de folga por ter doado sangue, o Instituto Lauro de Souza Lima, onde Gonçalves trabalha, fornece transporte até o hemonúcleo. “Reunimos os colegas e vamos de perua doar sangue”, explica.
Conhecida em Bauru nas décadas de 70 e 80 como líder de um grupo de doadores, Eugênia Bologna, 65 anos, conta que até hoje, sete anos após ter deixado a atividade, recebe pedidos de ajuda. “Sempre as pessoas com familiares doentes ainda me procuram pedindo para arrumar doadores e eu ligo para uns amigos. Mas muitos daquele grupo, que chegou a ter 200 cadastrados, já morreram”, diz.
Como muitos doadores, Eugênia começou a colaborar com o banco de sangue após uma doença na família. “Meu marido teve úlcera hemorrágica e precisou de muito sangue. Naquela época, tinha gente que até cobrava para doar sangue. Então, achei que devia formar um grupo para ajudar quem precisava. Hoje, só tenho a agradecer aos doadores, desejar paz e a bênção de Deus”, conclui.
Mas entre os doadores assíduos também há jovens, lembra a diretora do hemonúcleo. “As campanhas feitas nas universidades têm dado bons resultados porque alguns estudantes passam a doar sangue de forma rotineira”, frisa Telma.
As doações aumentam por ocasiões das inscrições de concursos públicos municipais, que isenta do pagamento da taxa os candidatos que apresentarem o comprovante de doação sangue. O hemonúcleo abastece hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru e mais 11 cidades da região. Por mês, recebe entre 1.200 e 1.300 doações.
O órgão preparou uma programação especial para comemorar o Dia do Doador. Hoje, será servido um lanche reforçado aos doadores, inclusive com bolo. Todos as pessoas que doarem sangue até o final do ano concorrem ao sorteio de uma bicicleta. Já os doadores assíduos ganham uma camiseta de brinde.
• Serviço
O Hemonúcleo de Bauru fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, ao lado do Hospital de Base, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h.