08 de julho de 2026
Geral

Dermatologistas divergem sobre eficácia da utilização do produto


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O tratamento que vem prometendo livrar as pessoas da barriguinha saliente, do incômodo culote e do famoso “pneuzinho” já divide a classe médica, principalmente os dermatalogistas. Um dos médicos que condenam a utilização do polifenol de alcachofra é Ivander Bastazini, que invoca o mesmo motivo utilizado pela Anvisa para não recomendar o produto.

“Não há trabalho científico provando que o tratamento é inócuo, ou seja, que não vá provocar efeitos colaterais indesejáveis ou até graves”, repete o dermatologista. Ele lembra que o polifenol de alcachofra surgiu após a proibição de um outro lipolítico (produto usado para quebrar moléculas de gordura), o Lipostabil, usado originalmente na prevenção da aterosclerose e com aplicação endovenosa (no interior da veia).

Ele explica que a proibição do Lipostabil surgiu justamente quando o produto começou a ser aplicado diretamente na gordura, procedimento para o qual, assim como acontece com o polifenol de alcachofra, não há pesquisa sobre sua eficácia e segurança. “Quando não há este tipo de estudo científico, não devemos adotar a técnica. A finalidade do médico é defender a saúde antes de buscar a estética”, diz Bastazini.

O dermatologista cita ainda que num congresso médico realizado em julho passado, em Pernambuco, duas médicas apresentaram uma experiência com o Lipostabil aplicado no tecido gorduroso de seis porcos. Três deles tiveram reações graves e morreram. “A população de cobaias da pesquisa é muito restrita e por isso não foi possível formular-se conclusões. Mas o estudo é sugestivo e serve, pelo menos, como um alerta”, diz Bastazini.

Na outra ponta do cabo-de-guerra, uma médica dermatologista, que preferiu não se identificar, faz a defesa irrestrita do tratamento. Ela explica que o pedido de anonimato é apenas em função do temor de que sua argumentação em favor do polifenol de alcachofra seja interpretada pela Anvisa como uma “propaganda” do tratamento, o que poderia ser considerado uma transgressão à lei.

Ela diz que utiliza as propriedades da alcachofra em seus tratamentos estéticos há mais dez de anos, sempre com bons resultados na perda de medidas. “A alcachofra tem ação diurética, aumentando a drenagem dos líquidos e ajudando até na melhora da celulite”, explica. “O polifenol é apenas uma forma mais ‘purificada’ da planta”, diz. Adepta da intradermoterapia (aplicação de medicamentos na própria derme), ela diz que utiliza o polifenol associado a outros lipolíticos, como o crisântelo.

Alerta

Mesmo satisfeita com os resultados obtidos, a médica garante que adverte seus pacientes do fato do produto não ter comprovação de sua eficácia comprovada por estudo científico. Além disso, ela faz avaliações clínicas antes de aplicá-lo. “Tem pessoas que pedem o polifenol, mas só aplico após saber se o paciente está apto a recebê-lo”, diz, explicando que o produto é contra-indicado para pessoas diabéticas, hipertensas e obesas. “O tratamento é exclusivo para gorduras localizadas”, reforça.

A médica, porém, elogia a determinação da Anvisa por entender que muitas pessoas, profissionais ou não, estariam fazendo um uso indiscriminado do produto, visando apenas o lucro fácil. “Tem gente fazendo a aplicação a R$ 30,00, quando seu custo real varia entre R$ 80,00 e R$ 120,00”, acusa. Ela lembra que problemas podem surgir, mas principalmente por imperícia na aplicação. “Se a aplicação acontecer no músculo e não na gordura, pode haver uma necrose, assim como a falta de assepsia pode provocar uma infecção”, diz.