Para preparar a ceia de Natal deste ano, o consumidor gastará em média 10% a mais do que em 2003. A novidade é que, com a queda do dólar neste final de ano (cotado ontem a R$ 2,75), alguns produtos importados estão mais baratos do que os nacionais. Isso inclui vinhos e até mesmo algumas marcas de panetones, entre outros itens.
O gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, Paulo Sanches, diz que as expectativas são de vender cerca de 20% a mais em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo ele, algumas frutas típicas do período natalino não tiveram aumento de preço. Por outro lado, as frutas secas estão mais caras. A castanha-do-pará está 40% mais caras.
“A exportação dessas castanhas foi muito alta, e o preço acabou subindo muito no mercado interno. Mas o que encareceu bastante alguns produtos foi a alta nos preços das embalagens. A celulose teve aumento entre 18% e 35%. A indústria petroquímica repassou altas em torno de 35%. Mas é possível fazer uma ótima ceia mesclando os produtos, porque há vários itens no mesmo preço do ano passado”, orienta Sanches.
Ontem, Nilza Zanon Battista e a filha Roberta Maura Battista estavam no supermercado pesquisando preço de tender. “Nós adoramos tender, mas meu pai costuma deixar para comprar mais perto do Natal porque o preço geralmente cai um pouco. Neste ano, estou achando muito caro”, observa Roberta.
Segundo Sanches, o quilo do tender neste ano está custando entre R$ 21,00 e R$ 28,00. “As carnes suínas tiveram aumento de preço, principalmente a carne in natura, que teve alta em torno de 25%. Já o preço do peru está em torno de R$ 8,50 (o quilo). A Ave Fiesta sai mais em conta, por R$ 6,50 o quilo.”
Madarli Nóbrega Simões, dona de um restaurante/marmitaria, também estava pesquisando preços ontem. “Por enquanto, estou pensando só no restaurante. Nem comecei a procurar as coisas para a ceia lá em casa”, conta.
Sônia Maria Conti Lima diz que também está na fase de levantamento de preços. “Existem aquelas coisas que todo ano a gente compra, não tem como escapar, mesmo se o preço tiver subido. De resto, é possível balancear as escolhas. Minha família é pequena, então, não fazemos ceias com muita quantidade de comida.”
Para quem quer presentear, Paulo Sanches diz que o supermercado oferece a opção de montar cestas de Natal a partir de R$ 10,00. “O cliente escolhe os produtos e monta a cesta do jeito que quiser. É uma opção que agrada e que pode ser ajustada ao orçamento de cada pessoa”, sugere.
“Levando em consideração que a inflação está na casa de 7% (medida pelo IPC-A), o aumento médio de 10% nos preços dos produtos natalinos está dentro da normalidade”, acrescenta Sanches.
Em outra rede supermercadista, a assessoria de imprensa afirma que as expectativas também são positivas em relação ao final do ano, com a projeção de crescer até 30% no volume de vendas. Nas unidades desta rede, o início das vendas de panetones foi antecipado em 20 dias, o que deve resultar num faturamento duas vezes maior com este item.
Segundo a assessoria, o consumo de frutas frescas vem aumentando a cada ano, o que levou a rede a aumentar os pedidos de abacaxi, manga, melancia e ameixa, entre outras bastante procuradas neste período. O volume de pedidos de frutas secas aos fornecedores também foi maior em comparação como ano passado.
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Importados em alta
Numa loja de produtos nacionais e importados da cidade, o sócio-proprietário Carlos Prando diz que as vendas de produtos importados estão superando as de itens nacionais, pelo menos até o momento. Ao contrário do final do ano passado, quando a moeda norte-americana teve alta, desta vez o dólar está em queda frente ao real.
“Temos alguns casos interessantes aqui na loja. O panetone de 500 gramas de uma marca nacional famosa custa R$ 7,90, enquanto o de uma marca argentina está saindo por R$ 5,90. Temos também vinhos italianos por R$ 13,90 a garrafa, enquanto o similar nacional está por R$ 14,00. Então, muita gente está preferindo artigos importados”, observa Prando.
A loja também oferece a opção das cestas e de kits de Natal para presentear, em valores diversos. As expectativas do empresário para este ano são de vender entre 30% e 40% a mais do que no final de 2003.