Gália - Uma brincadeira de mau gosto. Foi assim que o delegado Bolívar dos Santos Júnior classificou a ação de dois adolescentes, anteontem, na escola estadual Graciema Ribeiro, em Gália (55 quilômetros a oeste de Bauru). Eles espalharam no pátio um líquido, que posteriormente foi identificado como sendo um agrotóxico conhecido como “tamarão”. Três alunas tiveram de ser hospitalizadas com crises alérgicas por causa do cheiro forte exalado pelo produto.
Os autores da “brincadeira” vão responder a ato infracional por lesão corporal. Em depoimento ao delegado, os garotos teriam alegado que encontraram o produto na rua, dentro de um frasco de acetona. Eles disseram que o cheiro forte, semelhante a fezes, teria chamado a atenção e decidiram levar o frasco para a escola.
Quando chegaram, espalharam o líquido na porta do pátio e o mau cheiro, segundo o delegado, ficou insuportável. As alunas que apresentaram reação tiveram de ser levadas ao hospital. Bolívar declarou que o produto não chegou a entrar em contato com a pele de nenhum aluno.
O caso foi comunicado ao Ministério Público e o delegado espera agora a emissão de laudo técnico pelo Instituto de Criminalística para comprovar a identificação da substância. Assim que o laudo ficar pronto, ele deverá ser remetido ao Fórum. Dependerá da Justiça a aplicação de alguma pena aos adolescentes.
Os acusados não são menores infratores. De acordo com Bolívar, foi a primeira vez que eles foram encaminhados a uma delegacia. “Por esse motivo, eu não considerei que eles quisessem fazer algo mais grave, como prejudicar alguém ou mesmo tentar contra a vida de quem quer que seja. (O ato) não se enquadra nessas hipóteses”, alegou.
Por determinação do delegado, as aulas foram suspensas até que o cheiro desaparecesse da escola, o que deve acontecer ainda esta semana. O agrotóxico “tamarão” é utilizado normalmente em plantações de maracujá.