Há algum tempo, nossa população era servida por nada menos que três empresas aéreas, que conferiam belo espetáculo aos céus da cidade e também ao nosso aeroporto, por isso a publicidade de uma das empresas ficou tão famosa que virou piada de pescador, então sempre que algum problema se apresentava como transporte, transbordo de material ou simplesmente para se chegar à beira do rio, logo vinha aquela frase manjada: “Vai de TAM”
Certo dia, estávamos em Avaí quando num estalo resolvemos realizar uma descida de barco pelo rio Batalha partindo do “mata-sede” ao lado da cidade até à “meia-lua” perto da Marechal Rondon.
Tralhas afins acertadas no barco quando eu, o mano velho Alvinho e o primo Célio Salim já partíamos para o rio, a mana velha Clarice protestou: Tenho de trabalhar esta noite no Pronto-Socorro do Mary Dota, quem vai me levar?
A minha resposta já estava na ponta da língua:
- Vai de TAM.
Mais tarde descíamos o rio deliciosamente, eu no piloto e os outros dois no banco da frente contemplando a natureza e antegozando a pescaria combinada para um lugar mais abaixo, mas quando chegamos numa curva complicada onde o motor era sempre desligado e os obstáculos superados no braço eu pedi que os outros se segurassem porque eu ia passar com o motor ligado ou “na moral”, conforme eu disse.
Mas a nossa embarcação foi para o fundo do rio com o seu motor, tralhas de pesca, seus ocupantes com moral e tudo. Lembro-me de que fiquei surpreso quando me vi dentro d’água, vi também meu primo que subia num pau pelo fundo do rio e o mano velho sem saber o que estava fazendo ali, lembrou-se de que precisava nadar.
Durante toda aquela tarde não conseguimos resgatar o nosso barco então eu liguei para a mana velha que ficara em Avaí a fim de pedir ajuda para sairmos daquele lugar. Dessa vez, a sua resposta também estava na ponta da língua:
_Vai de TAM. E ainda desligou o telefone na minha cara.
Por ironia, justamente naquele momento, passava um avião de passageiros a alguns quilômetros acima das nossas cabeças.
Eurico de Oliveira - Aposentado, pescador e contador de histórias