08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tá ruim mas tá bom


| Tempo de leitura: 1 min

Taca português! Agora todo mundo quer dar palestra. Já reparou como virou mania nacional? Tudo quanto é tipo de gente tem coisa pra ensinar pra gente: como assar um frango, como fazer regime sem parar de comer, como levantar o astral, como rir, como soltar as frangas... A única coisa que ninguém ensina é “como encher a carteira”... Só os palestrantes devem saber essa arte e não contam pra nenhum coitado.

E por falar em coitado, o povo já não agüenta mais aquele palavrório dos carros de som, girando o dia todo pelo centro da cidade, agora com harpinhas de Natal tocando no fundo. Tem um amigo meu, advogado, que disse usar, sem parar, a palavra “liquidação” nas petições jurídicas que escreve, de tanto que ouve o bendito jargão pela janela do escritório. “Corre que tá acabando...”!!

Em se tratando de português, o brasileiro continua criativo e agora deram para falar tudo no gerúndio: “vou estar fazendo”, “vamos estar recebendo”, “o senhor pode estar comprando”. Pra que isso? Parece tradução de novela do Paraguai. Você deve se lembrar da época em que todo peão falava “com certeza”, no final das frases. Depois, tivemos o “veja bem”, que usavam no início das frases. É... tempos terríveis, aqueles.

E em tempos de internet, onde a moda é mandar e-mail, o povo come palavras, feito pipocas, e só escreve siglas: bj pr vc. É mole? Estamos virando aberrações da língua. Isso sem falar na mania que a mulherada, recentemente, pegou, de falar com a boca travada, como se estivesse mascando chicletes nas orlas das praias cariocas. Uma amiga minha disse que é pra imitar a Cicarelli, tipo “voz de modelo”. É... tá ruim mas tá bom. Podia ser pior. Já pensou ficar surdo?

Elias Janeiro - RG 18.479.772