09 de julho de 2026
Geral

Bauru está entre as cidades com a maior escolaridade e sem vulnerabilidade social

Diego Molina
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru está entre os 63 municípios paulistas classificados como de nenhuma vulnerabilidade social, ou seja com altos índices de riqueza, longevidade e escolaridade da população, em relação ao total do Estado. Ao todo, 69% dos moradores do município residem em áreas com melhor situação econômica e indicadores sociais ao menos satisfatórios. Por outro lado, 15,4% da população ainda estão em situação de risco, com indicadores que apontam alta exposição à miséria, baixa escolaridade e violência.

Os números fazem parte do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) a pedido da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e baseados no Censo de 2000. Foram analisados especialmente as dimensões que referem-se à renda e escolaridade dos responsáveis pelos domicílios, e também as características demográficas e ciclo de vida das famílias.

Entre outros municípios também classificados como de nenhuma vulnerabilidade social, estão a Capital, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Jaú e Botucatu. Em sua maioria, são cidades com mais de 100 mil habitantes, indicando a grande concentração de riqueza gerada no Estado por esses municípios. No entanto, áreas de vulnerabilidade muito alta, como bolsões de pobreza, também são características de grandes centros, marcando a grande desigualdade social.

De acordo com o IPVS, em 2000 aproximadamente 216 mil moradores de Bauru viviam em bairros considerados de nenhuma a baixa vulnerabilidade social, o que representava 69% da população residente no município em 2000. Atualmente, a cidade possui cerca de 344 mil habitantes.

Nesse contingente também se encontra a maior parcela dos chefes de família ou responsáveis pelos domicílios que possuem formação superior (61,9% em média). Conseqüentemente, essa é a parcela da população que tem renda maior, alcançando R$ 1.485,00 em média para o responsável pela residência.

O relatório do IPVS explica que o conceito de vulnerabilidade social de pessoas, famílias ou comunidades pode ser entendido como a combinação de fatores que possam produzir uma deterioração no seu nível de bem-estar, por conta da exposição a determinados riscos. A vulnerabilidade à pobreza não se limita, segundo o documento, em considerar a privação de renda como determinante, mas também a composição familiar, as condições de saúde e o acesso a serviços médicos, sistema educacional e possibilidade de obtenção de trabalho com qualidade e remuneração adequada, entre outras.

Mais vulneráveis

Os dados apontam que pelo menos 96 mil moradores de Bauru viviam, em 2002, em bairros com maior suscetibilidade à situação de pobreza, e os locais indicados pelo IPVS como de vulnerabilidade muito alta são reconhecidos pela titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Lilia Cristina de Oliveira, como as regiões que já vêm recebendo mais atenção do órgão.

Ela comenta que foi entregue ao prefeito Nilson Costa (sem partido), na última semana, um relatório contendo todas as atividades e projetos realizados nos últimos quatro anos pela Sebes. “Apontamos o que está sendo feito e pontuamos o que pode ter continuidade na próxima administração. São programas que atendem desde os recém-nascidos, crianças, adolescentes, adultos e idosos às famílias como um todo, buscando maior qualidade de vida e geração de renda”, diz a secretária.

Lilia ressalta que os projetos desenvolvidos não têm perfil assistencialista. “Não trabalhamos com esse caráter. Temos políticas de assistência e promoção social, de melhoria de qualidade de vida para a população”, destaca. Ela ressalta que programas como os Núcleos de Apoio Sócio-Familiar (NAF), Nutribebê, Nenhuma Criança na Rua e o Cadastramento Único já vêm trabalhando no sentido de diminuir as necessidades da população residente nos locais mais pobres da cidade.

“De forma geral, a Sebes já vem atendendo essa população que é classificada como mais vulnerabilizada, tentando chegar principalmente aos bairros mais periféricos e aos bolsões de pobreza para tentar dar uma nova perspectiva de vida a essas pessoas”, afirma.

O presidente da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social, Paulo Sérgio Canalli, reitera a geração de empregos como um dos pontos principais para a melhora na qualidade de vida da população. “Se você percebe que temos 25 mil pessoas praticamente vivendo em estado de pobreza, é hora de solucionar esse problema, é uma situação emergencial. É papel do poder público assumir a responsabilidade e ver como consegue buscar condições para tirar esse contingente desse estado de vulnerabilidade à pobreza”, frisa.

Na opinião de Canalli, Bauru necessita de uma política de assistência social mais austera e que busque a parceria de entidades civis organizadas e empresários. “Costumo dizer que a política social precisa ter o peso da política da saúde ou da educação. Todas as entidades e empresários que forem chamados, vão responder positivamente, e você precisa do poder público para nortear esse caminho”, conclui.

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Região é a 5ª em educação

O Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS) classifica a região de Bauru, com 39 municípios e cerca de 950 mil habitantes, como a quinta colocada em escolaridade da população e a oitava nas dimensões de riqueza e longevidade, na comparação entre as 15 regiões administrativas do Estado. De acordo com o relatório, a região apresenta cidades com níveis intermediários de riqueza e bons indicadores sociais ou em processo de melhora.

No contingente das pessoas com menor vulnerabilidade, 84% dos responsáveis pelos domicílios concluíram o ensino fundamental. Nos grupos de muito baixa e baixa vulnerabilidade, os índices são de, respectivamente, 50% e 48%. Entretanto, a proporção dos que concluíram um curso universitário entre as pessoas em situação mais suscetível à pobreza é de apenas 18%.

As cidades de Bauru, Jaú e Botucatu, que correspondiam por 50,5% da população no Censo de 2000, foram classificadas como de nenhuma vulnerabilidade, na comparação com a média paulista. No grupo 2, que agrega municípios com bons níveis de riqueza, mas indicadores sociais insatisfatórios, está a cidade de Barra Bonita. No grupo 3, de baixa vulnerabilidade, estão cidades que exibem indicadores sociais satisfatórios, apesar de não terem níveis de riqueza elevados, como Lins, Pederneiras e Piratininga.

O grupo 4, de média vulnerabilidade social, inclui cidades que vêm conseguindo melhorar seus indicadores sociais, apesar da pouca riqueza existente, como Promissão, Agudos e Avaí. E no grupo 5, de alta vulnerabilidade, estão municípios que ainda se mantém em situação de pobreza.