A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) pretende iniciar no próximo mês um projeto-piloto de mapeamento completo da arborização de Bauru. Segundo o secretário Kazumi Kobayashi, a Semma delimitou um quadrilátero na região central de Bauru apenas como ação inicial de um projeto maior que visa fazer um levantamento quantitativo e qualitativo de todas as árvores da cidade.
Kobayashi explica que, com esse levantamento inicial, será possível esquematizar o projeto completo, que seria apresentado ao próximo governo para orientar suas ações na área do meio ambiente. “Após a ‘contagem’ das árvores, o projeto prevê a compilação de todos os dados, como quantidade, espécie, idade estimada, adequação ao local e problemas existentes num grande cadastro da arborização bauruense”, adianta Kobayashi.
A escolha da região central teve duas motivações: a primeira é o tamanho reduzido da área, já que a pasta não dispõe de pessoal suficiente para contar e catalogar todas as árvores da área urbana. Outra razão, segundo Kobayashi, é que o centro da cidade possui um alto déficit de arborização. O plano é “visitar” árvore por árvore no quadrilátero compreendido entre a avenida Duque de Caxias e as ruas Presidente Kennedy, Monsenhor Claro e Araújo Leite.
Com esse grande cadastro em mãos, diz o secretário, o poder público teria um poderoso instrumento para qualificar sua atuação, como por exemplo nos casos de pedidos de substituição de árvores. “Quando um pedido chegar à Semma, já saberemos de antemão qual a espécie mais adequada àquele local”, diz, ressaltando que sua pasta recebe entre 100 e 120 pedidos mensais para substituição de árvores.
Além disso, argumenta o secretário, o projeto permitiria que os administradores mapeassem os locais da cidade que mais precisam ser atendidos com plantação de mudas. “Seria possível definir um plano correto de arborização para cada bairro, respeitando suas características”, diz.
Para viabilizar o projeto completo, o secretário pretende contatar entidades ambientalistas e universidades para mobilizar a quantidade de pessoal necessária ao trabalho. “A idéia é conseguir estagiários, que seriam treinados pela Semma, pois só assim seria possível implementar o projeto, que é bastante trabalhoso”, completa Kobayashi. O projeto-piloto na área central, porém, será feito apenas pelos técnicos da Semma.
A Secretaria de Meio Ambiente estima que a cidade possua cerca de 70 mil árvores, mas Kobayashi evita calcular o déficit de arborização na cidade. Em julho, ambientalistas disseram ao JC que este número seria de 35 mil unidades, o que geraria um déficit de 75 mil árvores. A base de cálculo utilizada foi a que preconiza como aceitável o índice de uma árvore para cada dois ou três habitantes. Bauru possui 344 mil habitantes. Para Kobayashi, o ideal seria que cada edificação da cidade tivesse uma árvore à sua frente.
____________________
Diagnóstico
Paralelamente ao levantamento estatístico da arborização em Bauru, o projeto da Semma também permitiria ao poder público detectar os principais problemas que atingem as plantas em Bauru.
Kazumi Kobayashi explica que a maioria dos pedidos de poda ou substituição são motivados por danos causados às calçadas por raízes violentas, como acontece principalmente com a espécie conhecida como “chapéu-de-sol”. “Com o estudo, será possível definir a espécie ideal para cada local da cidade”, diz
O estado sanitário das árvores é outra questão que preocupa, pois plantas atacadas por cupins, brocas ou fungos podem “adoecer” e perder sustentação, transformando-se numa fonte de perigo para a população, principalmente com a chegada do período das tempestades de verão. Nestes casos, a substituição também seria agilizada pelo cadastro.
Kobayashi lembra que a cidade dispõe de um “estoque” de cerca de 30 mil mudas no Viveiro Municipal e no Jardim Botânico (espécies nativas). Elas são destinadas, porém, ao cidadão que optar por plantar uma árvore de forma espontânea.
Para atender os pedidos de substituição ou as exigências de regularização do imóvel novo através do “habite-se”, o munícipe deve comprar mudas em estabelecimentos particulares com pelo menos 1,5 metro de altura. Kobayashi explica que a prefeitura não possui “viveiros de espera”, que cultivam as mudas por dois ou três anos.