10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Aumentos reduzem venda em postos; gasolina e diesel sobem

Patrícia Zamboni (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 4 min

Gasolina e diesel ficam mais caros a partir de hoje. Os últimos e constantes aumentos de preços dos combustíveis já não estão mais prejudicando apenas os consumidores, e passam a causar reflexos negativos para donos de postos - por mais estranho que isso possa parecer. Em função dos reajustes, alguns empresários reclamam de uma queda entre 5% e 10% no volume de vendas desde o mês passado.

A Petrobras anunciou para hoje reajuste nas refinarias de 4,2% no valor da gasolina e 8% no diesel. Desta vez, a empresa não estimou qual será o aumento para o consumidor final. Se forem repassados os reajustes integrais, a atual média de R$ 2,22 do litro da gasolina comum em Bauru passaria para algo em torno de R$ 2,30. No caso do diesel, que variava de R$ 1,53 a R$ 1,59 na cidade até ontem, o novo preço seria de aproximadamente R$ 1,68.

Wagner Siqueira, proprietário de quatro postos na cidade, diz que desde o último aumento de preços, no início do mês, as vendas tiveram uma queda variando de 5% a 10% em seus estabelecimentos. Segundo ele, já surge a necessidade de avaliar possíveis reduções de custos operacionais para tentar equilibrar a situação.

“Eu acho que os aumentos de amanhã (hoje) não causarão tanto impacto para o consumidor por causa do pagamento do 13.º salário. O grande impacto foi ocasionado pelos dois últimos reajustes (em outubro e início de novembro). As pessoas acham que quanto mais sobem os preços, mais os postos lucram. Mas não é nada disso”, reclama.

Segundo Siqueira, o preço de custo da gasolina até ontem era em torno de R$ 1,95, e do diesel, R$ 1,39. “Hoje (ontem), eu já não consegui comprar combustível na distribuidora. Elas (as companhias) já estão segurando as vendas (para os postos) para aplicar os novos preços a partir de amanhã (hoje)”, observa o empresário.

Edvaldo Tuschi, dono de vários postos na cidade, também aponta queda de 5% a 7% no movimento de consumidores em seus estabelecimentos. Mas para ele, está dentro da normalidade do que ocorre logo após reajustes de preço mais elevados.

“O grande absurdo dessa história toda é o que está acontecendo com o diesel, que tem sofrido aumentos brutais. O problema é que, quando sobe o diesel, também aumentam o álcool e a gasolina. Ninguém agüenta mais isso, nem os consumidores, nem os donos de postos”, assinala.

A pé

Hélio Ricardo da Silva, que produz e vende peças de artesanato, está entre as pessoas que mudaram seus hábitos para conseguir reduzir os gastos com combustível. Ele reclama que os constantes aumentos da gasolina têm pesado demais no orçamento da família.

“Eu só tenho usado o carro para fazer as entregas dos produtos. O resto das coisas faço a pé, como ir ao Centro da cidade durante a semana. O preço da gasolina está um absurdo, e se a gente não economiza, acaba faltando comida na mesa”, lamenta o trabalhador.

O empresário Robson Mecca também reclama da queda entre 5% e 10% nas vendas em seus dois postos. “Eu já estou pensando em estratégias para reduzir os gastos com a estrutura operacional, como por exemplo, parar de atender 24 horas e deixar os postos abertos só até meia-noite. Para nós (donos de postos), seria melhor que passasse um ano inteiro sem mais nenhum reajuste de preço dos combustíveis. A situação está muito difícil para nós.”

Eliane da Silva Canuto Abrahão foi abastecer seu carro ontem à tarde, mas não sabia do aumento de preços marcado para hoje. “Que horror, vai subir de novo? Eu gasto cerca de R$ 300,00 por mês para abastecer meu carro (a gasolina). É um absurdo, mas dependo dele (do carro) para tudo: trabalhar e transportar meus filhos.”

Paulo César Santos diz que abastece seu carro com R$ 60,00 de gasolina toda semana. “Não tenho como abrir mão do carro porque é minha ferramenta de trabalho. Mas já tive que puxar o freio em alguns passeios a lazer por causa dos gastos elevados com combustível”, reclama.

Neste ano, o consumidor levou diversos sustos com a dança dos preços. Entre os mais marcantes do primeiro semestre, destacam-se as altas de 4,5% e 7% - respectivamente para gasolina e diesel -, no mês de junho. Antes disso, em maio, o álcool teve uma alta vertiginosa de 32,85%.

Em 14 de outubro, a Petrobras aumentou a gasolina em 4% e o diesel em 6% nas refinarias. Depois disso, em 5 de novembro as distribuidoras elevaram o preço do álcool hidratado em 14%, o que levou a um aumento médio de 2,9% para a gasolina (que tem 25% de álcool em sua composição) no País.

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, garantiu ontem que não haverá mais nenhum aumento dos combustíveis neste ano e “nem nos primeiros meses do ano que vem”.