08 de julho de 2026
Bairros

Brito: 'Bauru terá mais enchentes'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Os moradores de Bauru podem se preparar porque no próximo verão teremos novamente enchentes nos famosos pontos críticos da cidade - entre eles, avenida Nações Unidas, avenida Alfredo Maia, rotatória Chujiro Otake e bairros da periferia da cidade.

Embora a prefeitura tenha realizado obras de combate a enchentes, como galerias de águas pluviais e canalização de rios e córregos, ainda há muita coisa a ser

feita.

“A cidade ainda não está com a situação das enchentes totalmente erradicada. São necessárias grandes obras e outras menores, pulverizadas na cidade toda. Então, certamente nós teremos em alguns pontos as tradicionais inundações de verão. E, dependendo da intensidade, outros pontos de alagamento poderão surgir”, afirma Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru.

Ele acredita que, como a cidade cresce rapidamente, sempre haverá pontos que demandam obras de drenagem.

“A urbanização da cidade é grande. A periferia está enorme. O investimento em galerias de águas pluviais em Bauru tem de ser constante. Todo ano tem de ter verbas reservadas para isso. Se parar um ano, estamos perdidos”, avalia.

Segundo Maria Helena Rigitano, arquiteta da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o controle das enchentes envolve obras pequenas e de grande porte. Ou seja, é necessário ter um sistema eficaz de galerias de águas pluviais e construir barragens de contenção em diversos pontos da cidade.

O novo Plano Diretor da cidade prevê nove barragens, cuja prioridade é o chamado piscinão do Parque Vitória Régia. Ele amenizaria o problema de alagamentos na avenida Nações Unidas.

Apesar de a administração municipal ainda estar fazendo obras corretivas, e não preventivas, Maria Helena acredita que é possível obter êxito no combate às inundações.

“Eu tenho que acreditar que um dia vai dar certo. Eu tenho expectativa de que o novo governo consiga trazer recursos para as obras de drenagem”, diz.

A arquiteta enfatiza, entretanto, que é necessária a colaboração da população. “As pessoas jogam lixo nas ruas e nas bocas-de-lobo e a prefeitura mantém isso com o dinheiro da própria população. Tem que haver uma campanha educativa porque a responsabilidade não é só do poder público”, salienta.

A população, por sua vez, cansada de viver sob risco, continua pedindo providências por parte do poder público. Güerino Ninin, morador do Centro, reclama da situação das ruas que não têm galerias de águas pluviais.

“Tem que haver providências para as ruas que não têm galerias. A água corre sobre o asfalto. A gente anda pela periferia e vê que às vezes o asfalto foi feito sem a infraestrutura necessária. Isso gera situações de risco”, diz.

Ele destaca que já viu diversas obras na cidade que não priorizaram a drenagem de água da chuva e que posteriormente acarretaram problemas para a população.

“Eu tenho a impressão de que as obras são feitas para satisfazer o visual, mas não a base necessária da infra-estrutura. Houve um problema sério na saída da Vila Falcão. Havia uma passagem de água sobre o asfalto. Diversas vezes a chuva carregou o asfalto e caiu carro dentro. Faltou infraestrutura”, frisa.

Ninin afirma que evita sair de casa em dias de chuva porque sabe que nestes dias há grandes chances de encontrar inundações. Quando é surpreendido na rua, evita principalmente a avenida Nações Unidas.

“O problema se repete. Nós somos moradores e sabemos. Mas uma pessoa de fora que não sabe acaba caindo em lugar perigoso”, salienta.

Já Reginaldo Bernardino Eugênio, morador da Vila Independência, reclama dos alagamentos da rotatória Chujiro Otake.

“A região do Nova Paulista teve erosões grandes, a terra foi descendo e assoreou o córrego. Ninguém fez nada. Antes de acontecer isso, não tínhamos tantos problemas de enchente”, afirma.

Morador da Pousada da esperança 2, Carlos Roberto Figueiredo acredita que as obras de galerias que estão sendo realizadas no bairro não serão suficientes para resolver o problema das inundações no local.

“Aqui é uma calamidade. É terrível. A Pousada é um dos principais bairros atingidos pelos problemas decorrentes das chuvas. A gente vive com medo. E as galerias que estão colocando abrangem só uma parte do bairro”, lamenta.