Não devo ser o único, creio que muitos querem entender melhor essa tal história da Câmara de Compensação Tarifária. Pelo que se sabe, ela foi implantada para que fossem compensados os prejuízos produzidos pelas linhas menos rentáveis, mas necessárias, existentes no sistema de transporte local, com os lucros que as melhores linhas do transporte coletivo de Bauru produzem. Mais do que lógico tal medida. O que ninguém consegue explicar é o prejuízo, e que prejuízo, que essa câmara veio a produzir. Se o resultado financeiro das melhores linhas compensa o das piores e o preço cobrado remunera os custos do transporte de maneira global, não se entende o porquê do prejuízo, e que prejuízo.
Tempos atrás, uns dois anos, a Emdurb encomendou estudo para a remodelagem do sistema viário e de transporte para Bauru, não sabemos se naquela época a Câmara de Compensação Tarifária produzia prejuízos. A bem da verdade não é a Câmara de Compensação Tarifária que produz prejuízos, mas sim a forma como ela está sendo operada. Nas outras cidades como funciona? Será que produzem prejuízos assim?
A proposta de extinção da Câmara e o pagamento às empresas a bagatela de quase 10 milhões de reais vem sem explicação do porquê a Câmara de Compensação Tarifária dá prejuízo se ela é para compensar-se a si mesma. Um funcionário da Emdurb diz que a queda do número de passageiros transportado, por ano, de 4 milhões em 96, quando foi criada a dita câmara, para 2 milhões na atualidade, é uma das razões. Enquanto a cidade cresceu, de 96 até agora em mais 50 mil habitantes, o número de usuários do sistema de transporte coletivo de Bauru diminuiu pela metade. É outro enigma a ser desvendado. Nem conseguimos saber, até hoje, para onde foram os 8 milhões de reais que uma dessas empresas se comprometeu a pagar na concorrência que ganhou para a exploração de parte do transporte coletivo (faz dois anos ou três) e já devemos alguns milhões para ela. Onde foram esses 8 milhões de reais? Terceiro enigma.
Culpar a Câmara de Compensação Tarifária pelo prejuízo apontado e solicitar sua extinção sem uma explicação clara do que ocorre e, sem ao menos, dizer como serão compensadas as operações de linha de rentabilidades diferentes, é culpar o sofá da sala pelo adultério do cônjuge e depois saltar na escuridão. Antes de qualquer decisão é preciso desvendar os enigmas em respeito a população ávida de novos tempos em Bauru.
José Eduardo Simões - RG 8.283.379