09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A morte de revolucionário


| Tempo de leitura: 2 min

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”(Oscar Wilde)

Na semana passada, faleceu em Bauru Elias Calixto Bittar. Aos 85 anos, pouco antes de morrer, ainda conservava o viço e o entusiasmo de quem fez da vida uma luta sem trégua por uma sociedade justa. Lutador das causas populares, sofreu na carne a fúria insana da repressão. Perseguido, preso e torturado por diversas vezes, soube com coragem resistir ao pesadelo de duas ditaduras em nome de um sonho.

O que leva um homem a tal despojamento? O que faz com que alguém se dedique de corpo e alma a uma causa coletiva, a um ideal, em detrimento de ambições pessoais ?

Num momento da humanidade onde cada vez mais prevalece o individualismo, municiado por um sistema perverso, onde pouca importância tem o ser, bom seria se tivéssemos muitos outros Calixtos!

E o companheiro Elias Calixto morreu sem ver o País pelo qual tanto lutou dar um passo sequer rumo à sua emancipação. Ao contrário, hoje os traidores da pátria que um dia disseram estar ao lado do povo, completam, com sorriso nos lábios, o serviço de governos anteriores, dilapidando nosso patrimônio, aprofundando nossa miséria e destruindo as esperanças.

Porém, acima das tristezas, frustrações e revoltas por todas as injustiças, vai permanecer em nossos corações o exemplo de Elias Calixto a nos mostrar que ser revolucionário também não é apenas vociferar palavras de ordem radicais, não é apenas sair às ruas em altos brados enquanto o poder ainda está distante, mas, antes de tudo, ter o compromisso extremo com a coerência e a dignidade. Construir o tão almejado socialismo em todas as relações, em cada gesto, abolindo do nosso cotidiano todos os preconceitos e opressões.

Enfim, fazer de nossas vidas o solo fértil onde deve ser depositada a semente da revolução, como foi a vida de Elias Calixto. Companheiro Elias Calixto! Presente!

Arthur Monteiro Junior - RG 13.340.953 - advogado